Conto: Feliz Natal da Matilha

Conto:
Feliz Natal da Matilha
Olá
semideuses, aqui são Aurora, Caimana e Kennis. O clima natalino contagiou o nosso
acampamento, mas a matilha gostou até demais da decoração. Resolvemos então
contar para vocês como foi o nosso Natal e, neste conto, vocês terão um Ponto
de Vista inédito: Argo, o carcará da Kennis. Os pontos de vista serão
identificados pelos nomes dos narradores em negrito antes das cenas.
Caimana
Era manhã
do nosso dia livre e eu estava sentada na beira do lago, lembrando que era
sempre naquela época que meu pai e eu montávamos a decoração de natal lá em
casa. Algumas lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto até que ouvi passos
e tentei esconde-las. Quando olhei para trás vi minha irmã vindo na minha
direção.
– O que está fazendo por aqui,
maninha? – Tentei esconder a minha voz embargada.
– Só dando uma volta, mas a
pergunta é porque você está chorando.
– Não é nada! – Forcei um sorriso.
– Eu sei que é algo. Desembucha.
– Estou com saudade, só isso… Era
nessa época que eu montava a árvore de Natal lá em casa, ou melhor, na casa do
meu pai. – As lágrimas voltaram a escorrer.
– Calma, vamos dar um jeito.
– Será que a gente não pode montar
uma árvore grande no pátio com muitas luzes e glitter? – Com certeza eu estava
com os olhos brilhando.
Kennis
Me
arrependi de dizer que ia dar um jeito quando notei a expressão dela. Somos
seguidoras de uma deusa grega, não comemoramos o Natal. Mas demos um jeitinho
no dia das mães, então podíamos dar um jeito no Natal.
– Eu vou ver com Lady Ártemis, tá?
Não sei se ela vai concordar, porque…
Ela ficou
tão animada que me abraçou. Não tive coragem de acabar com a ideia sem nem ao
menos tentar. Retribui o abraço meio sem jeito e saí pra procurar Ártemis. A
encontrei em seu escritório, em meio algumas anotações. Bati na porta e esperei
ela me notar.
– Kennis, entre. Aconteceu alguma
coisa?
– Minha senhora, eu sei que temos
tradições gregas, mas algumas meninas foram criadas em lares cristãos. Essa
época natalina remete a trocas de presentes e decoração própria. Como aqui é o
novo lar delas pensei que elas se sentiriam em casa se fizéssemos algo nesse
sentido.
– Faz sentido. Não acho que alguns
enfeites fazem mal e gosto de ver as meninas felizes, elas lutam melhor. Tudo
bem, pode organizar tudo.
– Obrigada, minha senhora.
Saí da
Torre Especial e percebi que não sabia como organizar uma festa de Natal, minha
família nunca se preocupou com isso. Fui procurar Cai e a encontrei com Aurora.
– Que bom que vocês estão juntas,
me poupa o trabalho. Lady Ártemis autorizou que fizéssemos uma festa de Natal.
Pensei em colocar alguns enfeites e fazer um amigo oculto, mas não tenho ideia
de como organizar isso, minha família não comemorava. Podem me ajudar, por
favor?
Caimana
Estava
agoniada com a demora da Kennis quando a Aurora chegou e nós começamos a
conversar sobre o Rastreamento. Uns cinco minutos depois vi minha irmã vindo em
nossa direção e pela expressão dela a resposta de Ártemis tinha sido positiva,
então já comecei a ter várias ideias. Assim que ela nos perguntou não me
contive:
– Podemos colocar uma árvore bem
grande no pátio, parecida com a que eu vi uma vez! Ela era enorme, maravilhosa,
tinha muitas luzes, enfeites e MUITO glitter… Colocar uma meia em cada quarto.
– Quase não consegui respirar – E sobre o amigo oculto eu tenho uma ideia
brilhante: deixar na cama de cada uma de nós um papel com o nome do seu amigo
oculto e no refeitório colocar uma lista com os presentes… Lady Ártemis vai
participar?
Aurora
– Calma, respira… Vamos fazer por
partes: primeiro a árvore. Sou contra usarmos uma de verdade, mas acho que vi
uma muito boa no Taguacenter e podemos usar as nossas bolas de treino, aquelas
que usamos para treinar tiro aéreo, como enfeites. Tenho um estoque novo de
glitter, podemos usar para enfeita-las.
– Aurora, eu posso disponibilizar
30% do orçamento que temos para vocês comprarem tudo. –  Disse Kennis fechando a cara só de imaginar a
cena.
– Maninha, meu amor… já  disse que te amo hoje? Obrigadaaaa! – Cai
estava quase flutuando de tanta felicidade.
– Eu estava tentando usar as coisas
que a gente tinha aqui, mas se você insiste eu uso o dinheiro da caçada. Fazer
o que né? – Eu ri e Kennis fez cara de desespero.
– Não, pode usar as coisas que você
tem aqui mesmo. Compra só a árvore, ok? Também te amo, maninha. Por favor não
destruam o acampamento.
– Ela está comigo Kennis! Claro que
a gente não vai destruir o acampamento, eu quem teria que arrumar depois.
Caimana e
eu fomos ao Taguacenter e tentamos não escolher a grande árvore que girava, acendia
e tocava músicas natalinas, juro que tentamos. Ok, não compramos essa, mas
compramos a do lado que era igualmente grande, verde e com as pontas com
glitter dourado. O que? Eu adoro glitter dourado, não me culpem! Carregamos ela
para o acampamento com um pouco de dificuldade porque a árvore era bem grande e
só tínhamos cavalos e não carros. Chegando lá reuni algumas meninas para ajudar
a montar a árvore e darem ideias de enfeites.
 Kennis
Como a
ideia teoricamente foi minha, precisava supervisionar a decoração e a festa.
Cheguei ao pátio atrás do Centro de Atividades quando as meninas estavam
terminando de instalar a árvore. Ela era enorme e tinha muito glitter dourado.
Sério.
– Não acredito que deixei vocês
escolherem a árvore. Olha quanto glitter!
– Eu sei, é linda né? – Caimana
estava radiante. Imagina a Aurora…
– Bom, precisamos organizar o amigo
oculto. Gostei da ideia de vocês.
Aproveitei
que estava perto da hora do almoço e fui até o refeitório. Esperei todas as
meninas chegarem e expliquei que Lady Ártemis havia concordado com uma festa de
Natal. Elas ficaram animadas e todas quiseram participar do amigo oculto. Eu já
havia preparado duas listas com os nomes de todas. Em uma deixei elas
escreverem a sugestão de presente e a outra eu cortei os nomes para os
sorteios. Depois que todas já haviam tirado o nome da sua amiga oculta,
almoçamos e voltamos para o pátio para arrumar o resto da decoração. Até que
foi divertido pendurar as guirlandas e passar o tempo com as meninas. Percebi o
quanto as novatas estavam relaxadas e felizes e até as veteranas gostaram da
ideia.
Caimana
Depois que
a árvore estava montada e enfeitada, fiquei alguns minutos parada observando e
admirando o nosso trabalho. Ela estava linda com muito glitter, muitas luzes e
cores. No topo brilhava a lua que havíamos encontrado no Taguacenter (aquele
lugar é um presente de Hefesto!). Estava perdida em meus pensamentos e nem
reparei que a Dandara estava parada ao meu lado e, como uma bela filha de
Afrodite, silenciosa e pronta para matar alguém.
– Ficou lindo né, Cai?
– Ah, oi! Sim, ficou maravilhosa,
agora só tenho que pensar no meu presente da amiga oculta. Não faço ideia de
onde arrumar o que a pessoa pediu…
– Eu também não. – Ela riu.
Ficamos
conversando por um tempo, até que eu comecei a pensar num presente ideal, mas
como não podia contar para ela tive que ir planeja-lo sozinha. Quando cheguei ao
meu quarto ele estava virado de cabeça para baixo e a Lilly se sentindo a dona
do mundo deitada na minha cama. Deitei ao lado dela para pensar em como faria o
presente e o meu telefone vibrou com uma mensagem da Aurora para todas do
grupo:
Se
apresentem no pátio para um treinamento especial.
Mesmo não
gostando muito da ideia de levantar da minha cama, fui ate o pátio principal e
peguei a Kennis observando a árvore.
– Gostou né? – Eu ri.
– Ficou muito exagerado, mas está
legal. Parabéns maninha, você deu uma ideia que ajudou todas as meninas. – Acho
que nunca tinha visto minha irmã tão orgulhosa de alguém e achei seu comentário
muito fofo.
Depois de
uns bons cinco minutos todas as meninas já estavam aguardando pela Aurora e eis
que vem a nossa tenente saltitando com seus cabelos de cor indefinida presos.
Quando ela chegou perto eu vi uma coisa que não tinha notado antes: orelhas
pontudas! No mesmo momento me virei para Kennis.
-Kennis, porque​ a Aurora tem
orelhas pontudas?
– Pontudas? Acho que você devia
falar com ela. Depois, o treinamento vai começar, presta atenção! – Ela me
respondeu daquele seu jeito sério.
Enquanto Aurora
estava explicando o treino eu só conseguia pensar nas orelhas pontudas dela e
como não tinha percebido isso antes. Quando voltei a prestar atenção todas as
meninas estavam seguindo para o bosque, infelizmente sem a matilha, que estava
patrulhando as entradas. Fomos cantando, quando a Aurora guia um treino você
aprende a não questionar as músicas #ficaadica
Aurora
Quando
todas chegaram ao pátio eu revelei como seria o treino especial.
– Booooa tarde meninas! Visto que
estamos no clima de Natal a organização da Caçada decidiu dar um pequeno
presente para vocês, mas só se vocês acharem o seu. Todos são os broches das
capas, mas nenhum presente é igual ao outro e foram todos escolhidos com o
devido cuidado. Seu dever é achar o de vocês SEM A AJUDA DA MATILHA. Os
presentes estão espalhados pela área do nosso querido bosque e já que a maioria
está acostumada com seu comportamento, acho que não terão problemas. Vocês
ficarão livres em escolher se fazem a atividade sozinhas ou em grupo, mas acho
bom falar que caso alguém ache o de outra garota pode ficar com ele ou entregar
para ela, a escolha é de vocês… Que os jogos de Natal comecem!
Eu apitei e
todas as meninas saíram correndo e cantando em direção ao bosque, deixando a
matilha guardando o acampamento. Fiquei parada ao lado de Kennis, olhando as
garotas correrem desesperadas para o bosque.
– Você já sabe onde eu escondi o
seu, né? – Perguntei para ela sem muita surpresa.
– Claro que sim, eu te conheço
Aurora. Mas vou dar uns minutos de vantagem para as meninas, quero ver o que acontece
caso alguém ache o meu.
Depois de
alguns minutos nós ouvimos um grito vindo do bosque. Não pensamos duas vezes e
fomos investigar.
Argo
Estava
patrulhando a Entrada da Divisa quando ouvi um grito. Levantei voo e observei o
acampamento, mas não percebi nada de errado. Kennis havia me avisado antes de
sair que haveria um treinamento no bosque, então devia ser de lá. Resolvi dar
uma olhada nas outras entradas, mas todas estavam tranquilas. Não passei na
entrada da Floresta pois era muito perto de onde as meninas estavam e, em caso
de um ataque, era a entrada mais protegida. Sobrevoei então o acampamento e vi
a enorme árvore de Natal. Kennis havia ficado louca por ser tão extravagante,
mas até que era bonita. Já estava passando por ela quando ouvi um barulho.
Pousei em cima de uma coluna do Centro de Atividades e fiquei quieto,
observando. Depois da distração de Mimas estávamos mais atentos. Ainda era dia,
mas era semana de lua crescente e a Kennis sempre ficava apreensiva depois de
ser surpreendida por um monstro dentro do Acampamento nesses dias. Olhei com
cuidado para a entrada na frente da torre, mas nada apareceu. Ouvi novamente o
barulho, mas não veio da entrada, vinha da árvore. Mudei de posição e por fim
mudei de coluna para poder observar melhor.
“Não acredito… Bhutty, a
super mordida é para casos de ataque! A árvore não está te atacando, pare com
isso!”
A loba de
nem se dignou a me olhar. Desci para dar uma bicada na cabeça dela e vi Lilly
do outro lado, escalando a árvore.
“Lilly, desça já daí! O que
deu em vocês?”
Pousei na
hora que vi Nico todo sujo de glitter, com uma bolinha da decoração na boca.
“Que vergonha! Você devia dar
o exemplo já que é o lobo da tenente! Não acredito que está liderando as
trombadinhas.”
Bhutty
continuou mordendo a árvore, mas Lilly se ofendeu. Pulou do galho em minha
direção, mas uma pata ficou presa no pisca pisca e ela caiu carregando todo o
fio.
“Lady Ártemis vai matar você,
Lilly. Vai matar todos vocês! Olha o que estão fazendo!”
Ela ganiu e
Nico tentou subir para ajuda-la, mas escorregou em um enfeite e caiu derrubando
tudo.
“Viu, eu disse que isso ia dar
errado.”
Senti os
pensamentos de Boizinho tocarem os meus, vindos dos túneis subterrâneos na
mesma hora que Mike se teleportou para um buraco próximo da árvore, rosnando. Os
demais animais da matilha não gostam de sua presença aqui, mas eu não tenho
nada contra ele. Ele sempre se movimenta pelos túneis subterrâneos e parecia
seguir para o quarto da Sandy. Como vocês sabem, ou deviam saber, eu sou um
telepata, ou seja, posso ler mentes num raio de 100 metros e projetar os meus
pensamentos para quem eu quiser neste mesmo raio. Não consigo revirar a mente e
nem me concentrar em todos no mesmo ambiente, apesar da ideia ser ótima, apenas
“ouvir” o que o meu alvo está pensando no momento, sendo necessário focar.
Não uso
esses poderes para ajudar a Kennis e as demais meninas em batalhas porque teria
que ler a mente do inimigo e passar para elas, o que as desconcentrariam e
atrasariam, já que elas teriam que ficar esperando eu dizer o próximo
movimento. Prefiro bicar e arranhar e confiar que elas são muito bem treinadas
para saberem o que fazer numa batalha. Pensamentos de animais são confusos,
muito mais emocionais, mas Boizinho é muito característico por ser um cão
infernal. Os de monstros são antigos e malignos, emanando uma onda ruim. Humanos
tem pensamentos mais organizados e claros. Kennis sabe que pode se comunicar
comigo pelo pensamento, mas ela gosta de falar. Acho que por ser tão fechada e
falar pouco, esse é um dos poucos momentos em que ela prefere se expressar.
“Boizinho, me ajuda aqui por
favor!”
Enviei esse
pensamento para ele e o vi sair de um túnel próximo, meio desconfiado. Nina
parou de morder uma bolinha que estava dividindo com Lúcia e se aproximou de
mim. A loba era a única a realmente gostar do cão infernal. A minha ideia era
tirar toda a matilha do meio da bagunça e evitar que algum deles se machucasse,
pois já tinha visto uma bolinha cair e quebrar, se alguém pisasse seria
desastroso. Boizinho se aproximou de Nico e o ajudou a levantar, mas quando estava
indo ajudar Lilly, viu um dado de brinquedo pendurado num galho pouco acima de
Lilly.
“Nem pense nisso, Boizinho! Ajude
a Lilly.”
Me
aproximei para tentar cortar o fio do pisca pisca e Boizinho veio pelo outro
lado para tentar puxa-la. Quando ele a sacudiu, o enfeite caiu na cabeça dele e
eu soube que o havia perdido também, era o seu brinquedo preferido.
“Vocês vão ver só, Lady
Ártemis vai servir lobinhos assados no banquete de natal se vocês continuarem a
destruir a decoração. Ou melhor, eu mesmo vou fatiar vocês. Sim… Vou ajudá-la
a picar tiras das suas carnes e talvez enfeite com cenouras. Ou batatas, a
Kennis adora batata frita.”
Eu
sobrevoava os lobos e mandava meus pensamentos para todos, tentando irritá-los,
pois sabia que eles não iam ficar com medo. Pelo menos não de mim sozinho. Alguns
desistiram da árvore para tentar me morder, mas a maioria continuou brincando
com os enfeites de Natal. Vi Âmbar se desprender da Lua no topo e começar a
descer e me perguntei como ela havia chegado lá em cima. Pensei para mim mesmo
que as Caçadoras deviam brincar mais com seus animais, talvez eles se tornassem
mais civilizados.
“Eu me recuso a ficar aqui e pagar
como cúmplice! Vou buscar quem pode resolver isso!”
Agora sim
funcionou, todos se moveram e tentaram ajudar Lilly, pois sabiam que eu
voltaria com suas donas. Simplesmente virei as costas e levantei voo.
Aurora
Kennis e eu
fomos correndo ver o que tinha acontecido dentro do bosque. Aparentemente uma
das Arktoi tropeçou e caiu em cima de uma cobra, nada demais. Esta não era
venenosa, mas tivemos que levar a menina para enfermaria por que ela havia
machucado a perna. Estávamos saindo do bosque com a menina quando encontramos
Caimana toda feliz com o seu presente. Assim que pisamos fora do lugar Argo
pousou na árvore mais perto.
Caimana
Quando vi o
Argo sabia que tinha dado ruim… Ele quase nunca aparece e quando o faz geralmente
não tem notícias boas. Quando o vi naquela árvore sabia que algo errado havia
acontecido.
Kennis
Vi Argo se
aproximar e ouvi seus pensamentos “A matilha está destruindo a árvore de Natal!”.
Ouvi Aurora e Caimana gritarem e percebi que ele havia dito para todas nós.
Arregalei os olhos e fechei a cara para ele.
– Argo, porque você não os impediu?
“Eu tentei, mas olha o meu
tamanho e olha o tamanho dos lobos! Você queria que eu fizesse o que?”
Corri para
o pátio e observei o que havia sobrado da árvore. Não era muito. Coloquei a mão
no rosto enquanto Argo pousava no meu ombro.
“Eu falei para eles pararem,
juro!”
– Eu sei, tudo bem. Não foi sua
culpa.
Caimana
– O QUE?
Corri para
o pátio e meu coração se partiu quando eu vi todos os destroços, Lilly
pendurada e Nico com uma bolinha na boca.
– PORQUÊ VOCÊS FIZERAM ISSO?  VOCÊS SÃO UMA VERGONHA PARA A CAÇADA!
Soltei a
Lilly e corri para o meu quarto.
Aurora
– A MATILHA ESTÁ O QUE?! NICO EU
ESPERO QUE VOCÊ NÃO ESTEJA ENVOLVIDO, MOCINHO!
Falei para
as meninas irem para o Pátio e andei apressada até a enfermaria com a garota
ferida. Fiz o curativo mais rápido da história e saí correndo até a árvore de
Natal. Deuses… Ela estava COMPLETAMENTE DESTRUÍDA! Tinham muitos pedaços de
árvore no chão, uma loba enrolada em pisca pisca, outra mordendo o caule, bolas
quebradas e o meliante me olhava com aquela cara de cachorro que caiu da
mudança segurando uma bolinha de Natal.
-NICO! COMO VOCÊ ME EXPLICA ISSO?!
Não me olha com essa cara não! Vocês fizeram a bagunça e vão arrumar! Vai
buscar a sua carroça! Vai!
Nico deixou
a bola no chão bem triste e saiu. Enquanto ele não voltava olhei a minha volta
e vi a Caimana correndo em direção ao dormitório. “Deve ter sido pior para
ela…” pensei a olhando ir embora. Fui até a Kennis que estava
conversando com Argo. Se eu não soubesse que ele é um telepata acharia a
conversa muito estranha porque só ela falava.
– Eu falo com ela ou você fala?
– Eu falo. – Ela ficou calada por
um momento e respondeu – Claro.
Ela saiu em
direção ao quarto de Caimana com Argo pousado em suas costas enquanto Nico voltava
com sua carrocinha. A melhor coisa que eu fiz foi ensinar esse lobo a puxar a carroça
da cãombulância, é muito útil. Ele veio todo cabisbaixo com o rabo entre as
pernas. Geralmente me derreto com essa cena, mas eu estava bem brava. Tinha glitter
no chão.
– Ótimo Nico, agora cate tudo. Pode
pedir ajuda para seus colegas de cela, porque depois dessa provavelmente vocês
vão ficar no canil por um tempo.
Ele ficou
me encarando com seus olhos gigantes…
-Tá! Eu te ajudo, mas começa a
arrumar, vai! Lilly, você também! Podem voltar aqui! Quero todos vocês
ajudando, estou vendo cada um!
Kennis
Bati na
porta e ouvi um fraco “Entre!”. Quando abri a porta a vi sentada na cama
mexendo em algumas fotos.
“Eu queria pedir desculpas por
não ter conseguido impedir. Eu tentei, mas se eu desse uma bicada neles ia
ganhar uma mordida. Eu sei o quanto isso era importante para você.”
Argo estava
tão triste que até seus pensamentos estavam assim. O peguei no colo e fiz
carinho em sua asa enquanto sentava na cama de Cai, que também estava com cara
de velório.
– Não foi sua culpa, está tudo bem.
É só uma árvore, gente. Pelo amor de Atena! O Natal é uma época de união,
companheirismo… Ainda vamos fazer o amigo oculto e ainda vamos comemorar
tudo. A árvore nós podemos substituir. – Tentei animá-los e comecei a falar
sobre a minha dificuldade para fazer o presente da minha amiga oculta, tentando
distrai-los e anima-los.
Aurora
Quando as
todas as meninas voltaram já estava tudo pronto. O chão estava limpo, o glitter
recolhido, a árvore mais ou menos remendada e uma surpresinha de Lady Ártemis.
Ela não comemora o Natal, não vê motivo para comemorar, mas entende que para
nós é uma comemoração simbolicamente importante então deixou um presente.
Todos os
lobos da matilha que estavam envolvidos com o fim do natal se tornaram lindas
renas e o Nico, que estava na frente de tudo isso e com a carrocinha, ficou com
o nariz vermelho. Eu particularmente achei a idéia genial. Claro que eu fiquei
rindo e sabia que o efeito não duraria muito tempo já que o pelo do Nico estava
começando aos poucos voltar a ficar preto, mas foi bem legal vê-lo como uma
rena. Arrumei os outros na carroça e fiz um trenó improvisado. Ficou muito bom.
Subi e conduzi os cachorros até o quarto da Caimana.

– Alguém disse Natal? – Ri quando
elas abriram a porta.
Kennis caiu
na gargalhada quando viu o trenó. As renas estavam com cara de que estavam
odiando a transformação, mas eles mereceram estar ali.
– Ainda sobrou algum enfeite?
Podemos decorar a clareira do lago e fazer a comemoração ali, o que acham? –
Ela perguntou.
-Olha, sobrou alguns aqui. Eu
deixei os bons na carroça. Podemos ir para lá arrumar.
– Ótimo. Vamos sim. Cai, quer vir? –
Kennis olhou para a irmã.
– Vou sim, não adianta ficar aqui
trancada. – Ela respondeu desanimada.
-Ótimo! Todas a bordo no Expresso
Polar! Próxima parada: lago!
No caminho
chamei as outras garotas para ajudarem a arrumar as coisas também.
Caimana
Quando
terminamos de arrumar já era quase a hora do amigo oculto e eu ainda precisava arrumar
alguns detalhes no meu presente, então deixei a Aurora e a Kennis nos
preparativos finais e fui termina-lo. Na hora da troca de presentes a clareira
estava linda, os lobos já haviam voltado ao normal e estavam deitados no pé das
meninas e a Lilly guardando meu lugar. Começamos a trocar os presentes e eu fui
a primeira a revelar que havia tirado a Bali, a nova caçadora filha de Poseidon.
Observei a brincadeira até sobrarem apenas duas, o que não foi surpresa para
ninguém.
-Só pode ser brincadeira né? – Disse
tentando conter o riso – Até nisso vocês duas combinam….
Kennis
Ri enquanto
me levantava e pegava um embrulho enorme.
– Bom, a nossa telepatia é forte,
mas não esperava isso. Eu só tenho a agradecer por esse ano. Ser sua subtenente
foi uma experiência incrível e uma honra poder te ajudar. Conte sempre comigo,
viu? O seu presente remete a sua loucura por armas e glitter.
Entreguei o
embrulho e vi seus olhos brilharem ao ver um alvo cheio de glitter.

– Aaaaahhhh – Ela me abraçou. Não
adianta, ela e a Cai simplesmente não sabem o significado de espaço pessoal.
– Não tenho palavras para descrever
como você me ajudou, obrigada por me segurar, puxar a orelha das meninas e
comandar ao meu lado. O seu presente remete à força, porque somos imbatíveis.
Abri o
embrulho enorme que ela me deu e também era um alvo, mas com uma hidra pintada.
Sorri e agradeci.
– A telepatia de vocês até parece a
de Palas com Atena. – Comentou Sandy.
– Como assim? – Perguntei enquanto
me sentava.
– Eu estava preparando a aula de
mitologia da próxima semana e percebi que vocês duas são muito parecidas com
Palas e Atena, completam as frases uma da outra, sabem o que a outra está
pensando…
– Lutam bem juntas… – Continuou
Caimana.
– Sim, a única diferença é que
Palas era uma Ninfa, e a Aurora é uma semideusa como você.
Já estava
concordando com as meninas e sorrindo quando ouvi a última frase. Parei de
balançar a cabeça e olhei séria para Aurora.
Aurora
– Então meninas… Sentem que lá
vem história.
Eu coloquei
o alvo que havia ganhado encostado em uma árvore e soltei o cabelo. Assim que
minhas orelhas pontudas foram reveladas se fez um silêncio completamente
desconfortável até que Caimana o quebrou.
– COMO EU NUNCA VI ISSO?!
Me sentei
novamente.
– Eu até então tentava esconde-las
de vocês, mas é porque eu tinha muita vergonha das minhas origens… Tudo o que
eu contei para vocês naquele dia na fogueira foi real, mas omiti alguns fatos
como a minha bisavó ser uma Ninfa da Floresta. Eu tinha muita vergonha do que
ela fez e descobrir esse peso na minha história me doeu muito. Claro que se eu
tivesse aparecido logo com elas vocês iriam começar a fazer perguntas e se não
fizessem ainda estariam com essas dúvidas. 
– Eu suspirei e comecei a mexer no meu cabelo.
– Bom, agora eu não tenho mais
vergonha de quem eu sou porque estou resolvendo o trauma aos poucos, por isso
estou literalmente jogando na roda. Estou corrigindo os erros da minha
ancestral. – Observei os olhares atentos e confusos das meninas.
– Vocês devem estar bem curiosas
para saber qual é essa história, né? Vou contar rapidinho. Ela era uma Ninfa da
Floresta, se apaixonou por um babaca, ele acabou com a floresta dela porque ela
confiou nele e ele devastou a área para criação de gado. Acho que é por isso
que eu tenho problemas de confiança com homens… Há alguns dias eu e a Kennis
fomos lá, replantamos o lugar, mandamos as vacas para meu pai e agora a minha
ancestral está lá cuidando da nossa mini floresta. E se ela não cuidar eu mesma
vou lá trocar umas palavrinhas com ela. E… Fim.
Eu acabei
de falar o silêncio havia retornado, mas acho que vi algumas meninas rindo
porém outras só conseguiam olhar para minhas orelhas.
Caimana
-Uau! Essa Aurora cheia dos
segredos… – E ri.
Todas
caíram na gargalhada, até a Kennis por incrível que pareça. Algumas meninas da
Confeitaria me deram o sinal e me lembraram da supresa que eu tinha preparado.
– Meninas, vamos até o refeitório.
Tenho uma surpresa.
Assim que
chegamos lá eu revelei a ceia que havíamos preparado em total e absoluto
segredo. Ouviu-se um coro de “Uau” e “já estava na hora de comer
mesmo”, então quando todas se acomodaram e fizemos as devidas oferendas
aos nossos pais e protetores, afinal ninguém quer ser alvo da ira de um deus
eu levantei erguendo o meu copo de coca diet (Lady Ártemis não nos permite o
consumo de bebidas alcoólicas).
– Vamos fazer um brinde pelo ano na
Caçada e pelo próximo que está por vir.
Brindamos e
meus olhos brilharam com aquela cena. Não me segurei e disse alto o suficiente
para todas ouvirem:
– FELIZ NATAL PARA A MELHOR FAMÍLIA
QUE PODERÍAMOS ESCOLHER!
Quando
terminei a frase todas nos abraçamos para o desespero da Kennis. Aquela sim era
uma verdadeira grande e bagunçada família.
FIM!
P.S.:
Matilha da Caçada
            Como
já mencionado anteriormente, cada menina pode trazer o seu animal ou adotar um
já existente na Matilha da Caçada. Segue abaixo a lista de cada animal que
aparece neste conto, seguido de qual animal ele é com e sem a Névoa e qual
Caçadora é sua Guardiã:
Matilha da Caçada
Nome
Animal que a Névoa mostra
Animal real
Caçadora Guardiã
Âmbar
Pingente de Estrela do Mar
Estrela do Mar
Bali
Argo
Cachorro
Carcará
Kennis
Bhutty
Jabuti
Loba
Clara
Boizinho
Cachorro
Cão infernal
Sandy
Lilly
Cachorro
Loba
Caimana
Lúcia
Cachorro
Loba
Alexis
Mike
Cachorro
Furão
Pandora
Nico
Cachorro
Lobo
Aurora
Nina
Cachorro
Loba
Dia
            Os demais animais da Matilha, das outras
Caçadoras, não apareceram neste Conto pois estavam patrulhando as Entradas que
haviam sido designados, trabalho que os trombadinhas em questão haviam fugido.
Links das imagens:
*
Árvore de Natal: http://synthetick.com/category/christmas-scenes.html
*
Lilly embolada no pisca pisca: https://pin.it/cuagzrowii3wej
* Árvore cheia de catioros:  https://pin.it/3avgzd2lt2su2j
* Nico com cara assustada: https://pin.it/z22xlrvwm36fgg
*
Catioros renas: https://pin.it/5j4onpjiqlwb6c
~Beijos de luz da Aurora
<3

Até a próxima, beijinhos da Cai ❤
“Às
vezes, até a força deve se curvar à sabedoria.” Annabeth Chase.

Comentários
Compartilhe:

Deixe uma resposta

%d bloggers like this: