Conto – O maior Segredo de Aurora.

    Olá semideusas e semideuses, aqui é a subtenente Kennis. Este conto relata o dia que a tenente Aurora finalmente aceitou suas origens e corrigiu os erros de seus antepassados. Este conto se passa imediatamente após o conto “A invasão” e foi escrito por nós duas, então a narração será dupla e identificada pelo nome em negrito, em cima de cada parágrafo.

Link para o Conto da Invasão

Aurora

    Eu estava animada e preocupada com a ideia da deusa. Por um lado, as novas patentes me parecia uma brilhante ideia porque esse ataque nos mostrou que precisamos de mais meninas com comando, mas por outro me preocupa já que é algo novo e inédito na Caçada. Sempre foram as tenentes e Ártemis e agora tinha uma variedade de patentes novas.  Eu precisava contar para Kennis antes de contar para as meninas, era justo ela saber primeiro e também sinto que posso confiar nela pois temos um tipo de ligação…

    A nossa relação é engraçada, a gente tem um tipo de telepatia mesmo sendo tão diferentes uma da outra. Teve uma vez que estávamos no Palácio de Ares (longa história) e precisávamos agir em silêncio. Não precisamos de palavras para nos comunicar, sabíamos exatamente o que a outra iria fazer e guiamos as meninas até um lugar seguro. Outra vez estávamos na presença da deusa Momo e montamos um plano para barganhar o Colar das Luas enquanto conversávamos com ela. Nós entendíamos o que a outra queria só de ouvi-la falar com a deusa, foi bem emocionante.  O que mais  nos assusta é quando estamos conversando e de repente temos a mesma ideia e falamos na mesma hora, acho que todo mundo se assusta com essa. Sem falar das lutas, quando batalhamos lado a lado temos uma sincronia perfeita. Bom, temos uma sintonia.

    Aproveitei que precisava levar um remédio para ela e depois da reunião passei na enfermaria e fui até o seu quarto na Torre da Divisa. Não dava tempo de passar no meu quarto para me arrumar porque 1- ele fica do outro lado do acampamento; e 2- eu estava bem nervosa quanto a novidade.

Kennis

    Parei no primeiro andar da Torre para guardar a lança e peguei um bolinho de ambrosia antes de subir para o meu quarto. Argo veio me ver e estava pousado na minha cama quando eu entrei.

“Como você está?”

– Melhor, a Aurora curou o meu braço. – Dei uma mordida no bolinho e sentei na cama.

“Mas…?”

– Mas não poderei ir amanhã. Lady Ártemis e a Aurora acham que seria perigoso entrar em uma batalha tão séria estando machucada, então vou ficar no acampamento com as Arktoi mais novas.

    Ele se aproximou e deitou a cabeça no meu ombro. “Sinto muito.”

– Tudo bem, eu sei que elas dão conta, mas me sinto mal por não poder ajudar.

“Eu sei, mas defender o acampamento também é importante, você viu o que aconteceu hoje.”

– Sim… Precisamos desse colar o mais rápido possível. Sempre soube que essa entrada ia causar problemas algum dia, mas não imaginei que seria um tão grande. Pobre Mimas, ludibriado por Éris…

“Ele não precisava ter morrido.”

– Eu sei, mas ele não ia embora. Ia acabar destruindo tudo. Ele vai se reerguer no Tártaro.

“É… mais um para a lista de inimigos.”

– Sinto pena dele, ele só queria algo que era dele no começo. Mas nem sempre a vida é justa.

    Terminei de comer o bolinho no momento que ouvi uma batida na porta e desci para abrir. Vi que era Aurora e ela parecia animada. Seus cabelos ainda estavam soltos e reparei mais uma vez que suas orelhas pareciam pontudas.

Aurora

-Oiiiiii! Então, como você está? Te trouxe esse remédio, ele é bom para hematomas, seu braço vai ficar novinho em folha. Receita de família.

    Assim que entreguei o remédio percebi que ela estava encarando as minhas orelhas.

-Droga! – Disse arrumando rapidamente o meu cabelo tentando disfarçar, mas já era tarde demais. Entrei na torre e fechei a porta atrás de mim.

Kennis

    Aurora sempre foi o lado animado da dupla, mas é legal a forma como nos damos bem. Percebemos o quanto trabalhamos bem juntas quando entramos para a oficina de Mitologia e a nossa sincronia só pareceu crescer depois disso. Me sinto feliz sendo sua subtenente, consigo segurá-la – coisa que pouquíssimas pessoas conseguem. Na verdade é uma relação sem esforço, sempre sabemos o que a outra está pensando, então as ideias correm juntas.

– Oi… Obrigada.

    Acho que fiquei encarando demais as orelhas dela, porque a expressão dela mudou e ela fechou a porta. Isso significa conversa séria.

– Senta… Como foi a reunião?

Aurora

– A reunião, isso. Foi isso o que eu vim falar. – Eu estava nervosa.

“Eu espero que ela não tenha visto. Será que se eu ignorar o assunto ela não fala sobre? Talvez ela nem tenha visto, provavelmente tinha algo na minha cabeça, sei lá, e eu me desesperei…” – Pensei tentando disfarçar com um sorriso.

    A torre dela era bem igual a minha, só que com menos brilho. O primeiro andar tinha uma sala com duas poltronas, um tapete e uma mesinha de centro, mas também tinha uma escrivaninha com duas cadeiras e um monte de papel na mesa, acho que ela anda ocupada. Nas paredes vêm a minha parte favorita, um arsenal cheio de armas. Os quartos de caçadora não tem tanto espaço para as armas, mas os de Tenente… Vocês tinham que ver a minha alegria quando eu abri a porta da torre pela primeira vez! Eu escolhi a Torre do Comércio justamente porque fica perto do fornecedor de materiais hihihihi.

    Voltando… Eu me sentei na primeira poltrona e lhe entreguei o pergaminho com as informações sobre o Festival. Realmente esperava continuar com o meu disfarce por mais tempo.

Kennis

    Li o pergaminho e passei alguns minutos em silêncio tentando absorver tudo aquilo.

– Esse teste vai mudar tudo dentro da Caçada, mas reconheço que vai ser bom tirar tanta responsabilidade dos nossos ombros. Posso ajudar a estruturar algumas provas, já estou com várias ideias na minha cabeça!

    Levantei animada e parei perto dos papeis, pegando um.

– Estava fazendo um resumo de mitologia, acho que vou passar para Lady Ártemis.

    Olhei para Aurora e percebi que ela estava nervosa. Sentei novamente e olhei para ela.

– Aurora, está tudo bem? Você parece nervosa com alguma coisa. Sabe que sempre pode me contar as coisas, né? Sou sua amiga.

Aurora

– É, não dá para esconder mais isso de você, está óbvio que você viu. Eu me descuidei hoje… – Soltei o meu cabelo revelando as orelhas pontudas que apareciam mais facilmente depois de eu colocar o cabelo para trás.

– Eu não fui totalmente sincera quando eu contei a minha história. Tudo o que eu disse era verdade, mas eu omiti alguns fatos como a minha bisavó ser uma ninfa e que aparentemente as orelhas pularam a geração da minha mãe e avó… Eu dei o azar de cair com elas…

– Isso explicaria porque Apolo se apaixonou pela sua mãe. Além do inegável talento dela, claro. Mas ele sempre volta para atormentá-la, não é? Porque não me contou isso antes, não escolhemos as nossas origens… – Kennis disse.

– Pois é, acho que ele gosta de quem não dá bola para ele. – Sorri. – Eu não contei porque a história da minha família é meio pesada… Ela conta sobre a crueldade dos homens quando descobrem o nosso mundo… Eu não sabia que eu era diferente até o dia em que me juntei à Caçada porque acho que os mortais não viam minha as orelhas e para mim as ver todos os dias era algo completamente normal.  Quando pequena, minha avó me contava histórias de uma ninfa que se apaixonou por um belo homem, mas antes de eu ir embora ela me contou que toda aquela história era verdade e que a ninfa era a minha bisavó e assim que descobri o legado da família senti vergonha desse meu lado… Não é uma história bonita… Se as pessoas descobrissem o que eu era, teria que contar essa história e eu me sentiria muito pior do que quando me olho todos os dias no espelho, por isso eu as escondo…

Kennis

– Pode compartilhar essa história comigo, se quiser.

    Nunca havia visto minha amiga tão triste e pensativa. Queria ajudá-la, mas não sabia como.

Aurora

– Bom, acho que posso conta-la a você. Afinal, já estamos aqui… Minha bisavó era uma hamadríade, uma ninfa da floresta. Seu nome era Deimia. Ela era, assim como todas as ninfas daquela floresta, uma protetora de seu lar e vivia lá em seu mundinho. Tudo mudou quando ela estava andando pela floresta e viu um homem. Ela achou o homem muito bonito e chegou mais perto. Não sei a descrição do homem porque minha avó não me contou, mas a minha bisa ficou totalmente apaixonada por ele. O homem a viu e ela tentou correr de volta para a floresta, mas ela estava muito perto e ele segurou sua mão. Daí vem todo aquele blá blá blá de pessoas apaixonadas e eu queria parar a história por aí, mas é dessa parte que tenho vergonha.

– Minha bisa descobriu o que o homem havia ido fazer na floresta dela, ele foi abrir a área para criação de gado. Ela ficou abismada pois isso mataria muitas plantas e eles entraram numa discussão, só que aos poucos ele a foi convencendo… Falou que seria só uma pequena área, para poucas vacas, apenas para ele sobreviver. Ela aceitou fazer esse sacrifício só para ficar com ele. Com um homem! Isso pesa muito em mim…Com o tempo eles se casaram, tiveram a minha avó e ela deixou a floresta, mas aí ela descobriu o que ele estava fazendo. Ele realmente começou com uma pequena parte, mas depois esse pequeno desmatamento se transformou em algo gigantesco…

– Eu sinto a culpa dela a cada momento em que me olho no espelho. Imagine quantas ninfas morreram Kennis… Quantas criaturas da floresta! Quanta vida se perdeu! Me dói demais ter esse legado… Por esse erro da minha bisavó que eu me juntei a Caçada e por isso que o nome do meu arco é Fauna, em homenagem a vida que foi perdida e que eu nunca tirarei a não ser em casos de extrema necessidade. Ela sabia Kennis! Ela sabia o que ele estava fazendo e deixou isso acontecer! – Falei chorando.

    Kennis pareceu chocada e me abraçou quando eu comecei a chorar.

– Eu sinto muito. Alguém conseguiu pará-lo? Você já pensou em voltar à floresta e plantar novas árvores? Isso atrairia novas ninfas. – Ela me perguntou.

– Eu quero, mas sei nem por onde começar…
    Sequei as minhas lágrimas e prendi meu cabelo.

– Minha avó não sabe onde é a floresta…

– Sua avó é carioca. A floresta pode ser perto. Acho que é um bom lugar para começar, pelo menos. Sei que o Rio tem como bioma a Mata Atlântica e vários locais com árvores. Já pensou em perguntar a alguma ninfa de lá, do Jardim Botânico, por exemplo? Elas saberiam se um mortal surtasse e desmatasse tudo.

– Lá é tão grande… Acho que muitos mortais já surtaram lá… Mas não custa tentar, né? – Sorri. – Podemos falar com uma ninfa no Jardim Botânico daqui. – Disse mudando drasticamente de humor e me levantei indo até a porta. – Você vem?

Kennis

– Claro.

A acompanhei até a Entrada da Floresta.

– O que a sua mãe e avó pensam sobre esse seu bisavô que destruiu tudo?

– Bom, minha mãe não sabia que a história era real e acho que até hoje não sabe. Provavelmente para ela as únicas experiência que ela teve com o nosso mundo foram a de Apolo e a batalha que tivemos contra dois ciclopes​ lá em casa… Também acho que ela não consegue ver minhas orelhas por trás da névoa, mas minha avó sim. Antes de eu sair minha avó me mandou ser forte e fazer a coisa certa… Ela também não gosta do que o pai fez, mas ainda é o pai dela. – Ela fez uma pausa. – Achei que você iria questionar sobre a hora que estamos saindo e sobre a missão de amanhã. – Ela riu enquanto me acompanhava até a entrada da Floresta.

– Eu te conheço, você não ia dormir pensando nisso e precisa estar descansada para amanhã. É melhor te tranquilizar antes. – Sorri.

– É, não ia mesmo.

    Atravessamos com facilidade o bosque pois já éramos acostumadas com seu comportamento e chegamos ao Jardim Botânico com a lua crescente ainda no seu auge. As ninfas provavelmente ainda estariam dormindo, mas tínhamos um bom método de anima-las: chocolate.

– Isotea, está acordada?

    A ninfa estava em sua forma de árvore e eu toquei gentilmente em um de seus galhos. Precisei chamar mais duas vezes antes dela acordar, estava realmente muito tarde. Devíamos estar dormindo também, mas agora até eu queria saber como resolver esse problema.

– Kennis? O seu acampamento está sendo atacado novamente?

    A ninfa saiu de sua árvore e nos olhou apreensiva. Aurora me deu o chocolate e eu ofereci para a Ninfa.

– Na verdade não. Mas precisamos da sua ajuda. Estamos investigando um caso antigo de um mortal que se casou com uma ninfa e, apesar de prometer que somente desmataria uma pequena parte para sobreviver, acabou com a floresta na região e expulsou todos os espíritos da natureza que ali existiam. O caso deve ter entre 100 e 80 anos. Sabe de algo assim? O caso pode ter acontecido no Rio de Janeiro.

    A ninfa pensou por um momento e por fim falou.

– No Rio de Janeiro eu não sei, mas conheço um caso assim em Goiás. Conheci uma ninfa que me contou essa história quando ela chegou ao bosque que eu vivia. Ela veio comigo quando vim morar nessa reserva. Viemos conversando, já que dá um trabalhão carregar a própria árvore, foi sorte termos alguns lobos para ajudar. Quer falar com ela?

– Por favor! – Olhei animada para Aurora.

Aurora

– Com certeza! Muito obrigada! Onde ela está??

    Fiquei extremamente contente, a chance de redimir os erros da minha família estava muito próxima.

Kennis

    Isotea nos levou até sua amiga, Jumi, e a acordou. Nos apresentou e contou o que estávamos procurando.

– Sim, foi numa cidadezinha no interior de Goiás. Éramos muito felizes lá até que Deimia se apaixonou. O mortal era bonitão e jurou que nunca faria mal para os espíritos da natureza que lá viviam. E assim foi por alguns anos. Até que ele decidiu que deveria aumentar seu rebanho. Gado dá muito lucro por aqui e vocês sabem como alguns mortais podem enlouquecer por dinheiro. Ele perdeu o controle, simplesmente passou por cima de tudo com tratores. Foi uma carnificina… Eu consegui escapar por muito pouco, a minha árvore ficava bem no limite da sua propriedade. Graças à Pã as minhas terras não pertenciam àquele homem, mas vi muitos amigos serem destruídos por sua ambição.

Ela abaixou a cabeça e percebi que Aurora tinha recomeçado a chorar.

– Eu sinto muito. De verdade. Pode nos dar a localização dessa fazenda? Tentaremos consertar as coisas.

– Claro. – Ela me disse o nome da fazenda, da cidade e as cidades próximas.

– Muito obrigada, Jumi.

    Acompanhei Aurora até a Torre do Comércio.

– Você precisa ir dormir agora. Vamos resolver isso, mas amanhã você irá ao submundo e precisa estar bem.

Aurora

– Certo, vamos resolver isso depois, mas precisamos resolver.

    Bom, a missão foi um sucesso. Conseguimos conquistar o Colar das Luas e ainda ganhamos uns pontos com Hades, o que pode nos ajudar muito no futuro. Eu conto para vocês depois como foi a missão, mas agora o foco da história é essa pessoa linda e maravilhosa que vos fala.

    Chegamos exaustas da missão e tudo o que a maioria conseguia pensar era “Cama”, mas eu não. Eu não via a hora de sair procurando essa tal fazenda. O colar das Luas ainda estava comigo, pois Ártemis não estava no acampamento. Eu mandei uma mensagem de Íris para ela avisando da nossa chegada e do sucesso na missão e ela disse que retornaria após resolver alguns assuntos sérios.

    Fui para o meu quarto para tentar descansar para essa busca, mas demorei muito a cair no sono. Quando finalmente consegui dormir sonhei com uma bela ninfa sorrindo para mim. Ela era verde e tinha longos cabelos rosas. Sua mão tocou no meu rosto e algumas palavras saíram de sua boca, mas eu não as ouvi, eu não queria ouvir. Eu sabia quem ela era e nada do que ela tinha a dizer me interessava, muito menos saber se ela estava viva ou não. Eu só queria resolver o problema que ela causou. Acordei suando e quando olhei para a minha mão tinha uma pequena muda em um saco feito com um tecido muito macio. Olhei para ele e disse:

– Já era isso o que eu ia fazer, Deimia. Mas obrigada.

    Soltei um leve sorriso, mas ele logo se foi quando eu me olhei no espelho. As orelhas ainda estavam lá.  Amarrei rapidamente o cabelo as escondendo, tomei um belo banho, peguei a muda e meu lobo que me esperava feito um lorde na porta e fui até a Torre da Divisa para encontrar a Kennis.

Kennis

    O dia foi tranquilo no acampamento e fiquei feliz pelas meninas terem conseguido recuperar o Colar. Deixei duas mochilas de suprimentos separadas e flechas extras na minha aljava. Sabia que Aurora estava ansiosa para sair nessa busca logo. Ouvi a batida na porta e Argo pousou em meu ombro enquanto eu descia.

– Hey, separei uma mochila para você. Vamos?

– Obrigada.

    Ela sorriu nervosa e percebi o quanto aquilo a estava consumindo. Lhe dei um abraço meio sem jeito e fomos buscar dois cavalos. A viagem foi tranquila até a cidadezinha e demoramos pouco mais de duas horas.

Aurora

    Assim que chegamos ao lugar senti um enorme peso nos ombros. A fazenda era enorme e eu conseguia ver bem lá longe uma árvore contorcida no meio de onde as vacas estavam pastando. Fomos até lá e vimos que a árvore era um tronco de ipê. Ele era alto e estava sem folhas ou flores. Toquei nele e um “filme” passou na minha cabeça.

    Na imagem vários tratores passavam destruindo as árvores e as Ninfas faziam o possível para pará-los, mas assim que sua árvore era destruída elas viravam pó. Algumas poucas que conseguiram fugir levaram suas casas de lá com muito esforço. Vi o trator parar na frente do ipê e o contornar. Descobri então que aquela era a árvore da minha bisavó e soltei a mão assim que a imagem terminou, caindo no chão em seguida.

– Foi aqui, Kennis… Aqui onde tudo começou e aqui onde eu vou terminar. Essa é a Árvore da minha bisavó e eu não sei se ela ainda está aí, mas eu vou fazer o que é necessário.

    Levantei e olhei para o céu que estava completamente nublado.

-Apolo! Te ofereço essas vacas que são minhas por direito! Só peço que as leve para algum lugar seguro, por favor. – E plantei a pequena muda que estava em minha mochila.

    De repente o sol apareceu e iluminou a muda que cresceu até se revelar um lindo Loureiro. Assim as vacas simplesmente saíram andando para fora dos portões da fazenda. Sem mais vacas ou problemas, começamos o nosso trabalho ali. Eu havia levado algumas sementes comigo na minha mochila e pedi para Kennis colocar umas variadas também na dela, todas típicas do cerrado. Começamos a plantar e já estávamos no meio do dia quando um homem apareceu reclamando do que estávamos fazendo ali. Ele estava bem bravo, até achou que éramos do MST.  Mas explicamos a situação e ele logo concordou.

    Estou brincando, claro que ele não concordou. Ele era o fazendeiro/caseiro daquele lote e não aceitava que suas vacas haviam sumido nem que eu era a dona das terras. Minha avó não teve irmãos, minha mãe teve um que não teve filhos, logo eu era a próxima dona do lugar. Depois de muita conversa, troca de gentilezas e documentos o cara foi embora bem bravo, mas conseguimos terminar o trabalho.

    Assim que plantamos a última semente olhamos para a plantação orgulhosas. Eu não deveria, mas fui até a Árvore para me despedir. A toquei novamente, mas diferente da primeira vez eu não vi nada triste, apenas a imagem de uma bela ninfa de cabelos rosa sorrindo. Então eu retirei a mão do ipê e ele floresceu: lindas flores rosas surgiram no alto da árvore.

– A madeira da Fauna é ipê, sabia? – Dei um sorriso. – Nosso trabalho aqui está feito. Muito obrigada por me ajudar, Kennis.

– Por nada. Precisamos ir, não podemos deixar o acampamento sem suas tenentes.

    Voltamos para o acampamento com relativa facilidade, encontramos apenas um Venti, que foi derrotado rapidamente com a combinação do nosso ataque com Nico e Argo.

    Bom, caso vocês estejam se perguntando, nada vai perturbar aquela pequena floresta que plantamos pois agora ela tem uma protetora muito disposta a fazer o certo dessa vez. Não estou falando de mim e sim do maravilhoso ipê rosa que fica no meio da floresta cobrindo todas as plantinhas com sua proteção, mas eu também falei para Deimia me chamar caso precisasse de apoio.

    Assim que chegamos ao acampamento relatamos a nossa expedição para Lady Ártemis e ela entendeu o motivo de nossa saída. Cheguei no meu quarto exausta e já era noite. Tomei um bom banho e me olhei no espelho. As orelhas estavam lá. “Que fiquem” pensei sem prende-las no meu cabelo dessa vez, hoje elas ficarão livres assim como no resto da minha imortalidade. Eu finalmente aceitei quem eu era pois agora a história estava certa.

~Fim
~Beijos de luz da Aurora 
“Às vezes, até a força deve se curvar à sabedoria.” Annabeth Chase.
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