Contos da Aurora : O (Possível) último encontro com Apolo

    Bem, vocês lembram que eu fiquei de contar a história do terceiro encontro de Apolo com a minha mãe, né? Então, chegou a hora de eu contar como isso aconteceu…
    Já tinha 3 anos que eu havia me juntado à caçada e eu sempre conversava com a minha mãe através de cartas. Um dia, ela me mandou uma falando que recebeu uma proposta de abrir uma filial da escola de dança lá no Rio de Janeiro, iria se mudar para lá e que precisaria de ajuda para isso porque sentia que alguma coisa iria acontecer, só não sabia o que era. Eu pedi permissão à Lady Ártemis para poder viajar e ajudar a minha mãe, mas a resposta foi não nas minhas primeiras 17 tentativas. Quando ela estava brava ao ponto de quase me transformar em um cervo, permitiu desde que eu não pedisse mais coisas nesse século. Sim meninas, eu sobrevivi ao “o olhar” , mas não sugiro alguém tentar fazer isso .
    Então, como o prometido, eu voltei para casa e muito bem acompanhada. O meu rabinho e lobinho, vulgo Nico, sempre andava comigo e graças ao seu super faro, eu desviava o caminho dos monstros ou os pegava de surpresa ( Ter um lobo com você tem suas vantagens, mas também tem desvantagens como cocôs gigantes saindo de um cachorrinho minúsculo, isso a névoa não cobre ¬¬). Depois de um tempo chegamos à minha casa e encontramos a minha mãe colocando as últimas caixas no caminhão enquanto a minha avó estava sentada no banco na frente da casa reclamando de estar perdendo a novela porque já haviam colocado a televisão no caminhão.
    Assim que a minha mãe me viu, correu para me abraçar.
    – Ah, querida! Você conseguiu vir, que maravilha!
    Eu dei um abraço forte nela e uma lagrima de saudade ia caindo quando o Nico pulou em cima de nós, quase nos derrubando no chão.
    -Para um cachorro tão pequeno, ele pesa bastante, né?
    -Mãe, ele é um lobo- Respondi.
    – Lobo, cachorro, tanto faz… – Vi minha avó se levantando e vindo até nós- Cadê o abraço da vovó?
    Eu a abracei tão forte quanto.
     – Nossa Aurora, você mudou nadinha, minha querida.- Disse a minha vó arrumando a parte da frente da minha trança( a franja que se desprendeu do resto da trança) .- Até esse cabelo estranho está igual!
     -Vó!- Eu disse arrumando o meu cabelo- Ele não é estranho… É lindo e EXÓTICO.
     Minha avó deu uma gargalhada, como eu sentia falta dessa sua gargalhada…
     – Esses jovens de hoje e sua moda estranha… No meu tempo…( Ai ela começou a contar histórias de sua juventude, vou poupar vocês desses detalhes)
     Terminando de colocar tudo no caminhão, nós entramos no carro para seguir viagem. Ah! Eu acabei não contando para vocês na minha ultima história, mas aquele pingente dado pelo meu pai se transforma em um arco, que eu nomeei de “Fauna” e quando eu me tornei caçadora recebi uma adaga chamada “Flora”, que é transformada pela névoa em uma pulseira ( a minha tem um sol na frente e uma lua atrás <3 ).

 

“A adaga pulseira”

Ando também (por precaução) com um gládio, que infelizmente não se transforma em caneta, mas sim em uma tiara de flores feita com girassóis, chamada “Primavera”. Eu consegui o gládio durante uma missão para Perséfone, mas essa é outra história que eu posso contar depois.

“Quando esticada, ela se transforma no gládio”

    Sim, além de ser filha de Apolo que brilha no sol, eu ando por aí com uma coroa de flores, colar de arco e flecha e uma pulseira com sol e lua, ainda tenho as pontas do meu cabelo rosa,  nada chamativo mas claro que eu não uso a coroa de flores na cabeça o tempo todo ( porque tem a tiara das caçadoras), então eu amarro no braço ou invento de prender na aljava. Vale lembrar para vocês, meninas, que normalmente, os arcos das caçadoras estão em suas tiaras, mas já que esse foi um presente de Apolo, eu pude ficar com a Fauna no cordão.
    Voltando para a história… O trajeto da viagem foi bem tranquilo desconsiderando os monstros que tentaram me atacar, mas graças ao Nico conseguimos evita-los e/ou vence-los.  O novo apartamento em que a minha mãe ia morar era bem menor que a nossa casa e beeeeeeeeeem mais quente. Não entendo até hoje porque ela quis se mudar para o Rio de Janeiro, mas fazer o que, né? Felizmente o apartamento tinha elevadores, o que facilitou terrivelmente a mudança e depois de subir com todas as caixas, ligamos a TV e o ar condicionado. Minha mãe estava doida para ir para a praia, mas minha avó preferia ficar em casa com ar condicionado e vendo TV.  Claro, eu preferia mil vezes ficar no ar condicionado, mas não queria deixar a minha mãe sozinha no Rio de Janeiro, pode ser perigoso ( O que ? Acharam que por eu ser filha de Apolo sou apaixonada no sol? Nana nina não. Eu curto o sol, mas o Rio de Janeiro é o Rio de Janeiro, né galera?).  Aí eu fiz a minha burrice.
    Eu fui com a minha mãe, mas só para garantir, eu rezei para Apolo pela proteção da minha avó, já que ela ficaria sozinha. Normalmente ele não me responde, acho que é porque eu me tornei uma caçadora, mas dessa vez foi diferente… Eu senti uma onda de calor muito forte e uma energia poderosa. Fiquei na esperança de ter sido ouvida, mas logo depois veio um dos ventos quentes do Rio de Janeiro e eu achei que poderia ter sido só o calor da cidade mesmo.
    Fomos á praia mais próxima, Copacabana.( Pois é, a minha mãe disse que só se mudaria para o Rio de Janeiro se fosse morar em Copacabana. Ela pode ser bem persistente quando quer, acredito que puxei isso dela). Alugamos um guarda sol de um cara carismático que fez um desconto para nós depois que a minha mãe provou que era carioca através do seu lindo sotaque nativo. A coisa foi mais ou menos assim:

    Mãe: Eae Amigo!
    Cara: Opa muoça, quer umax cadeara?( Imagine o sotaque carioca)
    Mãe: Opa! Quero sim! Cê faz um preço bom pá noix?
    Cara: Tu é daqui ?!
    Mãe: Sou sim Amigo! Nascida e criada no Rio de Janeeeiro
    Cara: Então eu vou fazê um preço bacaca pá tu.

    Moral da história, conseguimos um desconto e sentamos perto do mar, mas um pouco longe da barraca, com o nico sempre perto de mim. Muita gente passou e queria fazer carinho nele, sem perceber que era gigante. Eu até ri um pouco com a cena das pessoas se abaixando sendo que o Nico, em pé, era do tamanho delas.  De repente,  ele parou de ser tão simpático. Começou a rosnar e saiu correndo. Eu, sem entender, fui atrás dele correndo na areia quente e deixando a minha mãe lá tomando sol. Agora começa a parte que ela me contou só quando eu voltei para o acampamento das caçadoras através de uma carta. ( Pois é, através de uma carta, vários dias depois .-.)
    Então, ela estava lá deitada de costas para o sol quando um cara ficou na frente de sua luz.
    -Com licença- Minha mãe se virou- Mas você está tampando o meu sol.
    -O seu sol? Olha se o sol for de alguém, ele seria meu. – Ela reconheceu a voz. Reconheceria em qualquer lugar.
    – Apolo?!- Ela se levantou com um susto e ficou sentada na canga.
    Ele havia mudado nada. Continuava loiro, super bonito, com barriga de tanquinho, muitos músculos e… totalmente egocêntrico.
    – Olá, meu amor. – Ele deu um sorriso de comercial de pasta de dente.
    – O que você está fazendo aqui?!- Ela se sentou na cadeira tentando esconder seu rosto em baixo do guarda-sol, mas não deu muito certo porque ele se abaixou também.
    – Eu ouvi uma oração e resolvi checar para ver quem era e advinha? Era da nossa filhinha.- Ele sorriu
    Bem, ai ela ficou brava.
    – NOSSA FILHINHA? Você quer dizer “MINHA” filha, porque tudo o que você fez foi dar uma arma a um bebê e deixar ela sozinha comigo! Eu estava no auge da minha carreira e tinha muitos planos! Seu egoísta, egocêntrico, filho da…( Não vou prosseguir nos xingamentos, vocês entenderam)
    – Calma, calma minha bravinha. Você não conseguiu uma boa oportunidade agora?
    – Sua bravinha ?!?! Ora seu…- O cara da barraca apareceu trazendo a cerveja que ela tinha pedido, deixo lá e saiu de mansinho, mas foi o suficiente para ela se segurar.
    – Ah…. Admita, você sentiu a falta do papai aqui.- Ele se deitou na ganga dela e parecia curtir o sol.
    – Não, não, não!- Ela jogou areia nele com os pés – Senti nem um pouco, agora vá embora! ( Na verdade, ela sentiu sim, mas claro que ela não ia admitir . Sim, tudo isso estava na carta, mas eu adaptei para uma conversa normal.)
    -Ou! Não se trata o deus do Sol assim!- Ele se sentou. Aparentemente o seu tanquinho era tão perfeito que quase não dobrava – Mas como estou de bom humor, vou deixar passar.
    – E quando você não está de bom humor?
    -Bem, só quando eu me arrependo de alguma coisa. Maaaaaas, são situações muito raras.- Ele deu aquela gargalhada maravilhosa que parecia um coro de homens totalmente afinados rindo.
    Na carta, ela diz que fez relação com a reação dele quando foi entregar o pingente, ele não estava de bom humor naquele dia.
    – Enfim, o que você veio fazer aqui ?
   Ele sorriu para ela. Ela se lembrava muito bem daquele sorriso…
    Entao, lá estava eu correndo atrás do Nico. Desde a minha chegada ao acampamento, ele nunca havia saído perto de mim, muito menos corrido feito um desesperado. Foi difícil alcançar aquele lobo, mas eu consegui (Táaaaa, eu só alcancei porque ele parou). Ele parou perto de depois homens aparentemente brigando, mas o menor homem estava levando a pior. Eles estavam em uma parte bem afastada da praia, onde havia quase ninguém sentado, só uma senhora bem idosa com um chapéu gigante cheio de flores( acho que ninguém mais estava lá porque era uma área mais próximo das pedras).
    Os dois homens pareciam brigar por uma cesta, analisando melhor eu vi que era uma daquelas cestinhas de empada que vendem na praia.
    Os caras pareciam completamente normais, mas o Nico não parava de rosnar para eles até que o maior começou a mudar. Seu nariz foi tomando forma de um focinho, suas orelhas cresceram até tomarem forma de orelhas de cachorro ( na real, a cabeça inteira  dele era de cachorro), seu corpo era negro e escamoso como de uma criaturinha marinha e suas pernas eram curtas e grossas, praticamente nadadeira.

    “Como um sábio uma vez disse,  eles são híbridos grotescos de um doberman e foca.”

    Era um Telquine e ele parecia extremamente bravo com o outro homem, que aparentemente era normal. O Nico não parava de rosnar, então a situação realmente não era boa aí eu resolvi me meter. Tirei o meu colar, preparei a Fauna com uma das flechas prateadas e gritei :
    – Ei! O que está acontecendo aqui?
O homem caiu no chão desmaiado e o Telquine, orgulhoso, se virou para mim.
    – Ora, ora… Uma caçadora. Pelo visto, eu vou poder… Espere, você é filha de Apolo! – Ele começou a rir.- Que maravilhoso, eu vou poder me deliciar com essas empadas e ainda me vingar de Apolo por tentar exterminar com a minha espécie.
    – Pera… Você atacou esse cara só para pegar as empadas? – Perguntei sem abaixar a guarda.
    – Sim, mas é porque elas são tão boas… E ele não queria me dar. – Ele ficou encarando as empadas. – Mas porque eu estou te contando isso?! Você é a minha presa, afinal. – Ele correu em minha direção apontando as suas presas e garras para mim.
    – Ata. – Eu mirei em sua cabeça e soltei a flecha. Ele se pulverizou em questão de segundos.
    – Esse cara fala demais – Disse ao Nico e ele concordou latindo.
    Fui até o homem no chão e ele estava cheio de arranhões, alguns bem profundos, mas ele ainda estava vivo. Usei o meu poder de cura para aliviar os ferimentos mais graves, mas alguns não foram totalmente curados ( ainda estou aperfeiçoando a técnica).
    Nessa hora eu me lembrei da mulher de chapéu sentada, mas quando eu olhei, ela havia desaparecido. Bem, levando em consideração o mundo em que vivemos, essa mulher tinha alguma coisa estranha, mas eu não liguei muito para isso na hora.
    Peguei a cesta de empadas e deixei ao lado do homem que provavelmente acordaria em poucos minutos. O cheiro das empadas estavam realmente delicioso, aí eu peguei uma e deixei 2 reais dentro da cesta do moço. O que? Eu não ia deixar de pagar.
    Voltei para onde a minha mãe estava é percebi que ela estava diferente. Um pouco mais feliz. Eu perguntei o que tinha acontecido, mas ela simplesmente disse ” o dia até que está bonito hoje”. Ela foi me conta que Apolo tinha aparecido só na carta, mas quando eu estava voltando para casa senti  aquela energia de novo e percebi que era dele, mas tinha uma outra também…  A outra era bem parecida com a de Apolo, mas um pouco mais fraca. Hoje eu sei o que era ela, mas isso eu conto em uma próxima história.

~Aurora
~Beijos de Luz da Aurora

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