História da Semana: Bali, a filha de Poseidon

            Olá semideuses, aqui é a Kennis. Essa semana contaremos a história da Bali, a mais nova Caçadora filha de Poseidon e integrante do meu Batalhão. A história será narrada por ela.
Quando
Liih terminou sua história um silêncio se instalou no local, então a Aurora
escolheu a primeira pessoa que ela viu, no caso eu, para contar a própria
história. Eu não estava realmente ansiosa para esse momento, mas contei do
mesmo jeito.
      Minha mãe sempre disse que conheceu meu pai em uma viagem para Indonésia, estava em
Bali para ser mais específica, e é daí que vem meu nome. Ela sempre fala que é
um lugar lindo, curioso e com suas peculiaridades, assim como eu. Minha mãe
estava caminhando na praia quando meu pai a viu, eles conversaram um pouco e
coisas aconteceram. Nove meses depois, tadããã:
eu.
Eu
tive uma infância legal e o quão normal pode ser para um semideus. Minha mãe
acabou se casando com um cara muito legal que sempre me tratou como filha dele e eu até ganhei uma irmãzinha.
Eu
suspeito que minha mãe sabia, ou tinha uma noção de quem meu pai biológico era
realmente. Por exemplo, um dia eu tive um sonho com estrelas do mar. Elas são
tão fofinhas, tem pés amburacrais que são bem legais, se regeneram se perderem
alguma pontinha e são super divertidas. Quando eu cheguei da escola no outro
dia ela disse que meu pai sabia o quanto eu gostava de estrelas do mar e me
entregou uma pulseira falando que ele havia me dado. Ela tinha pingentes de
estrelas do mar, outros que eram tingidos de azul e pareciam água turva e uns
com umas pedrinhas coloridas e brilhosas, além de duas notas musicais. Eu não
entendi direito, mas enfim. Eu sabia que, por mais que eu chamasse meu
padrasto de pai, não tinha sido um presente dele e fiquem bem confusa, mas
adorei a pulseira e comecei a usa-la sempre.
Como
eu vim parar aqui é uma história engraçada, para se dizer o mínimo… Eu
sempre adorei livros, séries, mitologia, RPG e tals. Um dia eu estava mexendo no Facebook quando vi o evento do Festival do Solstício e pensei
“Nossa, esse povo realmente leva o RPG e a mitologia bem a sério… Amadorei!”
Então
eu vim fazer o teste e quando eu vi “Ártemis” até me encolhi um
pouco, a menina que estava interpretando estava de parabéns, incorporou legal.
Durante o teste eu percebi uma aura ao redor dela, um brilho prateado, achei
que fossem efeitos especiais bem legais, e que ela não deixava passar NADA. Eu
já estava começando a me achar louca e acreditar que ela realmente era a deusa
Ártemis.
A
Arktoi 64 e eu, Arktoi 63 naquele momento, estávamos conversando super animadas
e felizes por termos passado no teste quando Lady Ártemis se aproximou de nós
com um óculos escuros que não dava para saber se ela estava com cara de
reprovação, aprovação, ódio, desprezo ou sei lá o que. Tudo o que eu pensava
era “Moiras, já podem me levar!”.

Arktoi 63, posso ter uma palavrinha? – Balancei a cabeça, a 64 se afastou e
Ártemis continuou. – Você sabe por que está aqui, certo?

Para me tornar uma Caçadora…
         Ela
tirou os óculos e me encarou com aqueles olhos que poderiam fazer dois furos em
você. Ela repetiu a frase, frisando cada palavra.

Você sabe por que está aqui, certo?
Eu
entortei a cabeça tentando entender a pergunta e ela apontou para minha
pulseira. Levantei o braço e encarei os pingentes. Ela colocou a mão no rosto.

Esses deuses têm que tomar vergonha e reclamar seus filhos, coisa que já está
na hora de fazer!
Ela
levantou um pouco a voz. Não gritou, mas pareceu que a voz dela atingiu todos
os cantos da Terra e alguns segundos depois uma luz verde com um tridente no
centro brilhou em cima da minha cabeça, permanecendo lá por alguns momentos. Minha
capacidade cognitiva se dividiu entre apreciar a bela imagem e procurar como as meninas estavam fazendo aquilo, talvez fosse um espelho, mas não
encontrei. A imagem sumiu e percebi que todas as garotas olhavam para nós. Ártemis
olhou para elas de forma severa e elas voltaram a fazer o que estavam fazendo
antes.

Entendeu agora? – Ela perguntou e eu fui honesta.

Nunca estive mais confusa, para falar a verdade.

Poseidon tem que parar de passar a lerdeza dele para vocês… Puxe uma estrela
de sua pulseira.
Eu
fiz o que ela disse e o pingentinho virou uma estrela do mar de verdade,
daquelas laranjas e do tamanho da minha mão.

Ai que bonitinha!! – Como quem ouviu o elogio, ela começou a subir pelo meu
braço, comecei a rir por que aquilo fazia cócegas e tirei um sorrisinho de Lady
Ártemis.
–  E para voltar é só colocar de volta. – Ela
pegou a estrela que já tinha subido até a metade do meu braço e encostou na
pulseira, fazendo ela voltar a ser um pingente.
-Então
eu sou filha de Poseidon? Tipo, O Poseidon? O senhor dos mares, terremotos e tals? – Perguntei impressionada.

Exatamente.

Isso faz bastante sentido… tirando a parte de vocês serem deuses e etc.
Ela
se abaixou até ficar da minha altura e disse:

Ah Bali, não precisa fazer sentido para ser verdade.
Fiz
um gesto com as mãos como quem diz “realmente”.

Está claro que você não sabia o que te esperava quando chegou aqui, mas você
mostrou grande potencial para ser uma de minhas seguidoras. A escolha é sua,
filha de Poseidon. Você pode voltar para o mundo mortal, mas vai estar
colocando a si e aos que ama em risco, pode ir para o Acampamento Meio-Sangue ou
ficar conosco.
Eu
travei um pouco tentando assimilar todas aquelas informações, mas respondi com
convicção.

Eu quero ficar.
– Pois bem, aguarde o momento de seu juramento e você fará parte da Caçada.
Então
eu proclamei aquelas palavras que parecem até mágica:
– Eu
me comprometo com a deusa Ártemis, dou as costas para a companhia dos homens,
aceito a virgindade eterna e me junto à Caçada.

Naquele
momento senti que estava fazendo o certo e que talvez eu pudesse encontrar meu
lugar com aquelas garotas. E foi o que aconteceu, passei os olhos nas meninas e,
mesmo com pouco tempo aqui, eu sei que posso contar com cada uma delas. Esse é
o bom das Caçadoras, não importa o grau de afinidade que você tem com uma ou
com outra, todas vão estar lá para te ajudar se você precisar.

“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.” Bali 🐚
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