História da Semana: Claris, a fantasma

    Assim que Cami terminou de contar a sua história, as meninas escutaram um barulho de palmas vindo por trás delas. As garotas pegaram os seus arcos e se prepararam para o ataque, mas de lá saiu uma garota de cabelos ruivos e curtos vestindo roupas da caçada e as meninas abaixaram os arcos.
    -Claris!!!- Disse Obiwana alegre, surpresa, confusa e assustada ao mesmo tempo.- Você não tinha morrido?
    Claris olhou para as novas meninas com ternura e se sentou em um espaço vazio atravessando Aurora e Kennis.
    – Sim, eu morri- Suspirou- Mas como filha de Hades, eu consegui um tempinho aqui fora para ficar com vocês… Percebi que estavam contando as suas histórias e então resolvi aparecer para contar a minha para essas novas recrutas. Porque, quem melhor do que eu para contar a minha história, né?
   -Fique a vontade.- Disse Kennis- Nunca ouvi histórias de um fantasma!- Ela parecia bem animada com isso.

   -Eu tinha 13 anos quando descobri que era filha de Hades. Eu sabia que tinha algo diferente comigo, mas quem poderia imaginar “nossa, será que sou filha de algum deus grego?” Pois é, acho que ninguém. Minha mãe era uma humana comum, o que fez com que meu pai prestasse atenção nela tinha muito a ver com nossa religião, ela acreditava muito no espiritismo, e lá ela era o que chamávamos de médium. Ela podia conversar e ver espíritos, os chamar quando queria falar alguma coisa, sentia quando algum espírito ruim estava próximo. Hades não entendia muito bem como ela fazia isso, e sua curiosidade o aproximou dela. Só que minha mãe também sempre foi muito bonita, era magra com uma pele muito branca, tem até uma tatuagem enorme nas costas de uma fênix, tudo isso fez com que Hades se apaixonasse por ela.
    Quando ela pedia ajuda espiritual, ele apareceu no lugar do espírito, foi um susto pra ela, já que ela nem acreditava em deuses gregos, sua religião é voltada para o cristianismo, ela acreditava em céu e inferno, não em submundo. Não vou contar detalhes dá relação deles, mas então eu nasci, e minha mãe sempre escondeu a verdade de mim, mas eu me lembro do meu pai ter ido algumas vezes lá em casa, alertado que estávamos em perigo. Eu ouvia tudo por trás dá porta, e não entendia do que ele estava falando (na época na verdade não sabia que ele era meu pai, fui entender essas situações anos depois) então ele pedia pra ela deixar ele nos levar para o submundo, que lá ele poderia me proteger dos monstros. Na última conversa ele disse que se nós não fossemos, minha mãe morreria em breve e ele não poderia fazer nada, mas mesmo assim ela não cedeu. Nesse dia ele deixou um pingente comigo, tinha o formato de um cetro, era bem pequeno, então ele disse “Use-o quando achar necessário”.

    Então o dia necessário chegou. Eu estudava na asa sul e morava no cruzeiro, o que fazia com que mesmo tendo apenas 13 anos, eu pegasse ônibus sozinha para ir e voltar dá escola. Nesse dia, eu subi as escadas do meu prédio e quando cheguei a porta do nosso apartamento, vi que ela estava aberta. Achei estranho, principalmente porque tínhamos dois gatos de estimação, então não podíamos deixar a porta aberta sem que eles fugissem. Quando entrei, vi minha mãe presa a parede e já muito machucada. Olhei em volta e do corredor veio uma mulher andando devagar, tinha uma espécie de névoa em volta dela que as vezes saia do lugar, e consegui ver rapidamente que a mão dela era longa, parecia uma garra. Ela então disse “finalmente você chegou, sua mamãe insistia em dizer que aqui não morava nenhum semideus, mas eu sinto cheiro de Hades aqui a quilometros de distância, esse cheiro de morte consegue ser muito forte”
    Eu sem entender nada, mas sentindo o perigo, dei um passo para trás e perguntei “o que você quer?” Ela então deu uma pequena risada e disse “ora, te fazer de churrasquinho”. Depois disso a névoa em volta dela se dissipou, consegui ver então claramente o seu corpo mudar de forma, asas apareceram e seus dedos ficaram longos, além dos seus pés parecerem patas que precisavam crescer mais. Ela tentou avançar, mas eu estava muito próxima dá porta e consegui fugir, minha sorte era que eu morava no primeiro andar, então rapidamente consegui chegar ao térreo, como ela era grande demais, demorou um pouco até conseguir passar pelas escadas estreitas. O que me deu tempo de pensar no pingente que meu pai tinha me dado, eu arranquei ele do colar e não sabia o que diabos ia fazer com ele, jogar e torcer para aquele monstro parar de prestar atenção em mim? Mas quando prestei atenção, o pingente começou a crescer na minha mão e ficou do tamanho de um cetro de verdade, e quando ele encostou no chão, dois esqueletos armados com espadas saíram dá terra e ficaram esperando olhando pra mim, nesse momento aquele monstro já estava bem perto, eu só gritei “AAAH” e apontei o cetro para ela, os esqueletos de alguma forma entenderam e foram a atacar, quando vi eles tinham rasgado a asa dela com a espada, o que a impedia de voar, ela começou a soltar veneno neles, mas eles voltavam a regenerar de uma forma extremamente rápida, o que não deu chances a Empousai (descobri meses depois que esse era o nome do monstro).

 Ela virou pó rapidamente. Depois que os esqueletos a derrotaram, o cetro voltou a forma de pingente, mas eu nunca mais consegui usa-lo, ele só podia me ajudar uma vez. Corri para o apartamento para ajudar minha mãe, mas quando a soltei ela já estava muito fraca, e disse pra mim com a voz muito baixa “procure ajuda de seu pai, Hades, prometa pra mim” E eu ja começando a chorar disse que prometia, minutos depois ela morreu, eu senti e de alguma forma sabia onde ela estava, sabia o exato momento que ela foi julgada pelos juízes do submundo, e que agora não tinha mais volta, eu estava sozinha, minha mãe tinha morrido.
    Eu passei a noite toda buscando na internet sobre Hades e tentando entender como eu podia ser filha de um Deus, e como monstros existiam, era muita coisa para assimilar. Não consegui dormir e no dia seguinte, mais ou menos na hora do almoço, um colega dá escola foi lá em casa, o nome dele era Lucas, ele disse que ficou preocupado comigo por não ter ido a aula, e pelo canto dá porta ele pode ver a bagunça que estava lá em casa, perguntou o que aconteceu e eu tentei falar qualquer coisa mas só me enrolei, ele então resolveu entrar mesmo sem ser convidado e disse que precisava dá pia pra falar com alguém, ele mandou uma mensagem de Iris pro acampamento meio sangue e disse que estava indo comigo, que eu tinha sido atacada e não dava mais pra esperar. Eu não entendi nada na época, só lembro dele explicando rapidamente, como não queria ficar em casa, com o corpo dá minha mãe ali, resolvi ir com ele.
    Eu estava extremamente cansada, então dormi a viagem inteira, quando cheguei nesse tal de acampamento, o diretor veio conversar comigo, eu contei tudo que aconteceu e ele me explicou o que eu era. Eu não era uma criança normal, e sim uma semideusa, o que fazia com que fora dali, ainda mais sozinha, eu corresse muitos perigos, ele me convidou a ficar lá e eu aceitei.
    Minha história na caçada veio logo depois, Artemis pediu as caçadoras que ficassem um tempo no acampamento para ela resolver uns assuntos no Olimpo. Todo período que elas ficaram lá eu fiquei fascinada, as seguia escondido em todo canto, ficava admirando as roupas delas e sonhava em usar o arco tão bem quanto elas. Certo dia uma das caçadoras me viu ali escondida, eu tentei fugir de volta pro meu chalé mas outra delas estava logo atrás de mim, acabei esbarrando e derrubando nos duas. Uma delas, a Rob, perguntou se eu gostaria de treinar com elas enquanto elas estivessem no acampamento, eu gaguejando disse que sim, e mais 5 dias que elas passaram lá, eu aprendi com elas como usar o arco e como caçar. Perguntei um dia para a Rob como eu poderia fazer para virar caçadora, ela disse que só lady Ártemis poderia autorizar, e elas ali sozinhas no máximo poderiam deixar eu treinar junto a elas. Acabado esses 5 dias, elas foram chamadas pela deusa para encontrarem com ela, eu não poderia ir junto, então decidi ir escondida atrás delas mesmo assim.
    Roubei um dos arcos do acampamento durante a madrugada com algumas flechas, nunca gostei e nem me dava bem com esgrima, então achei que o arco já bastava, mas pra não ficar na mão levei uma pequena adaga. Consegui segui-las por um longo caminho, até que elas entraram em uma floresta e me perdi, como eu tinha aprendido a caçar consegui me manter viva por alguns dias na floresta, mas as minhas flechas já estavam danificadas ou perdidas, então não ia demorar pra eu ficar sem meios de sobreviver. Um dia enquanto eu estava dormindo um ciclope veio tentar me atacar, mas antes dele conseguir chegar em mim, a Rob, que estava atrás dele fazia dias, acertou uma flecha nele de longe e o matou, e eu tenho o sono tão pesado que só fui descobrir o que aconteceu quando ela veio me acordar, e me levou até o acampamento com ela. Lady Ártemis estava lá e se impressionou comigo por te-las seguido, e por eu conseguir sobreviver sozinha todo aquele tempo. Aquele dia ela me deu sua benção e eu me tornei caçadora, foi com certeza um dos dias mais importantes dá minha vida.
    Infelizmente, um tempo depois lady Ártemis foi capturada junto com seu irmão por Licaon e seus lobos, caçadoras e semideuses romanos se juntaram para salva-los, mas nem tudo deu certo aquele dia, várias pessoas mortas, inclusive eu, que na tentativa de libertar os deuses das correntes, me atrapalhei e morri. Mas ser filha de Hades tem suas vantagens, por isso toda vez que sinto saudades posso aparecer como um fantasma para conversar com minhas irmãs, vi que vocês estavam contando histórias e resolvi aparecer para contar a minha, meu pai não me deixa ficar muito tempo, mas dá tempo de ouvir outra história. E aí recrutas, qual a história de vocês?

                 

    ~Claris

~Beijos de Luz da Aurora

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