O titã esquecido

    Os treinamentos e atividades da caçada são diários, com apenas um dia de descanso por semana, segunda feira, que por sinal é quando a nossa história começa.

     Algumas caçadoras estavam relaxando no lago, outras (a maioria, na verdade) treinando com seus arcos, poucas na biblioteca/sala de mitologia e uma parte dormindo, já que ainda era bem cedo. E advinhem onde a grande deusa da caça estava nesse dia tão tranquilo? Isso mesmo, no bosque, curtindo o lago com algumas de suas meninas.

    O que? Achou que só porque ela é uma deusa, líder de um grupo de elite, a melhor caçadora que já existiu, ela estaria caçando ou mandando as semideusas fazerem coisas? Claro que não! Eu disse que era dia de folga, né?

    A deusa estava curtindo a água quando sua diversão foi interrompida por uma voz que ela conhecia muito bem, mas que não gostava muito de ouvir.

    – Ártemis? Vocês está aí? Claro que está, minhas mensagens são impecáveis, nem sei por que eu ainda pergunto. – Uma imagem se formou em sua frente. Era uma mulher muito branca, com cabelos negros, lisos e sedosos. Ela usava uma faixa no cabelo com as cores do arco-íris, uma bata com “Paz” escrito bem no meio e um colar com uma mão mostrando os dois dedos ✌️.

    – O que você quer Íris? – Eu estou de folga hoje, espero que seja importante.

    – Tenho aqui na linha uma campista do Acampamento meio-sangue. Ela diz ser uma emergência e que o futuro do mundo está em jogo.

    – Uma campista? Tudo bem, me coloca na linha.

    Quando Ártemis viu a cena percebeu que era claramente um cara de peruca.

    – É sério isso? EU FUI INCOMODADA NO MEU DIA DE DESCANSO POR UM CARA DE PERUCA?!

    – Espere, Lady Ártemis! Eu preciso muito falar com a senhorita! É que um Titã está destruin…

    Ela desligou.

    Todas as meninas que estavam no lago ficaram olhando para a deusa.

    – Vocês acreditam nisso?

    – O que as pessoas não fazem para falar com a senhorita. – uma das meninas riu.

     -Será que eles acham que eu tenho cara de trouxa? – Ártemis disse mergulhando.

    – Mas se ele fez isso acho que era realmente importante, minha senhora.

     Ártemis volta do seu mergulho e começou a boiar.

    – Se realmente fosse tão importante eles não iriam fazer isso. Eu claramente não ia atender. E Íris?! Depois eu vou ter uma conversinha com ela.

    Neste momento surgiu outra voz, que a deusa não ouvia há séculos.

    – Ártemis, não sei por qual motivo você ignorou o chamado do acampamento, mas EU preciso de sua ajuda.

    A deusa levou um susto e se levantou. Aquela voz era muito querida para ela.

    – Vó?!

    – Olá minha querida. Você está bem? Você não é de negar o chamado de quem precisa.

    – E a senhora não é de me ligar. O que aconteceu?

   Todas as meninas já haviam se aglomerado perto da deusa para saber o que estava acontecendo, mas sem aparecer na mensagem de Íris.

    – Ceos… ele ficou doido. Estávamos em nosso castelo conversando e eu sem querer toquei no assunto proibido.

    – Qual assunto?

    – Os dias de glória dos titãs. Não me pergunte como esse assunto surgiu, mas agora ele está andando por aí destruindo tudo e falando “Agora vocês vão saber quem eu sou!”. Minha querida, eu tentei trazer ele de volta à luz da razão, mas ele ficou muito chateado e agora está fazendo birra por aí.

    – O acampamento meio-sangue deveria resolver isso.

    – Sim, mas ele não está dando conta do seu avô. Por isso eu resolvi pedir ajuda para você.

    – E Apolo? Ele não pode fazer nada? Afinal de contas você deu a profecia para ele, acho que ele te ajudaria sem questionar. – Ártemis pensou um pouco – É, esqueça, eu faço isso. É uma coisa muito delicada para aquele troglodita fazer.

    – Não fale assim do seu irmão, Ártemis. Ele tem boas intenções.

    – Aham, tá bom. Eu resolvo isso, tchau vó. Até o século que vem.

    Ártemis desligou a mensagem e viu que todas as meninas do acampamento já estavam lá, olhando para ela curiosas.

    – Meninas! Temos uma missão! Quero todas prontas em 6 minutos para sairmos! Estarei esperando vocês na Entrada da Floresta!

    – Todas, minha senhora? Incluindo as recrutas? – a recruta tinha brilho nos olhos.

    – Isso, todas. – Ela sorriu e saiu do lago.

   
    6 minutos depois a Caçada inteira estava pronta e a disposição da deusa. As caçadoras estavam com suas mochilas e intercaladas a cada duas recrutas. Essas carregavam uma mochila, o arco e um gládio de treino, junto com uma adaga de arremesso e a matilha estava espalhada entre as meninas.

    As caçadoras saíram pela Entrada da Floresta e pararam no Jardim Botânico.

    A narradora não pode contar onde fica exatamente essa entrada porque se contar ela leva uma flechada na cabeça, então vamos só falar que elas saíram no Jardim Botânico e foram em direção ao Aeroporto.

    – Minha senhora, como você sabe que é aqui que o titã se encontra? – Uma recruta perguntou à deusa.

    – Eu sei porque não existem tornados em Brasília.

    – Tornados?

    As caçadoras olharam para frente e viram um grande tornado destruindo árvores e correndo atrás de alguns animais. Elas firmaram sua visão através da Névoa e se depararam com um enorme homem pisoteando a vegetação enquanto os animais fugiam.

    O titã tinha quase 15 metros de altura. Usava uma armadura bem velha, enferrujada e arranhada, com um gládio igualmente velho. Ele tinha um elmo, mas claramente o seu cabelo era branco e suas feições eram antigas, mas isso não conseguia esconder a sua cara de raiva misturada com um pouco de tristeza.

    – CEOS! – Ártemis gritou para o titã. Sua voz ecoou pelo grande campo do cerrado.

    O titã parou o que estava fazendo e se virou surpreso.

    – Sua avó te mandou? Eu achava que isso iria acontecer depois que eu botei aqueles semideuseszinhos para correr. “Acampamento meio sangue”… RÁ! NINGUÉM É PAREO PARA O GRANDE E PODEROSO CEOS! Mas… – Ele se abaixou. – Eu achei que ela iria mandar Apolo, ela não para de falar naquele moleque.

    – Eu não preciso saber sobre o que ela fala ou não. O importante é que eu estou aqui e você vai para casa. – Ela tensionou o arco na direção de seu enorme nariz – Por bem ou por mal.

    Todas as caçadoras e recrutas se posicionaram em uma fileira horizontal ao lado da deusa e tensionaram os seus arcos​ formando uma onda de arcos sendo levantados e preparados.

    – Calma, pequena guerreira! Eu não quero lutar contra você e suas meninas… Não seria capaz. Acho que é por isso que ninguém se lembra de mim… – ele se sentou já sem sua expressão de raiva que foi substituída por uma de enorme tristeza.

    Ártemis abaixou o arco e fez um sinal para as meninas abaixarem os seus também. A deusa subiu na árvore mais próxima que alcançava o rosto de seu avô e lhe deu um beijo em seu nariz.

    – Como assim ninguém se lembra de você, vô? Você é o grande titã Ceos! Lutou contra seu próprio povo ao lado dos deuses porque sabia que estava fazendo o certo! É o poderoso titã da inteligência! Nenhum titã é tão inteligente quanto o senhor! E além do mais, você gerou uma linhagem de grandes guerreiros como minha mãe Leto, eu e Apolo. Sem o senhor, não teríamos nada disso!

    Ele deu um leve sorriso e levantou a cabeça, mas voltou para sua expressão tristonha.

    – Mesmo assim… Ninguém se lembra de mim.- ele foi diminuindo aos poucos de tamanho até ficar em um próximo ao de um humano, mas com 2 metros de altura. A deusa desceu da árvore e foi surpreendida por uma caçadora de cabelos rosa que saiu de sua formação, passando por ela, e foi abraçar o titã. Em seguida, todas elas fizeram o mesmo e   foram falando “Obrigada” ao titã.

    – Sem o senhor, não teríamos a nossa senhora e nos lembraremos sempre de sua importância na nossa vida.

    Uma lágrima fugiu do titã. Ártemis, surpresa com a cena, resolveu participar do abraço e no final, as caçadoras foram abrindo caminho para a deusa passar e ficar de frente a frente com Ceos.

    – Você será sempre importante para nós e sempre nos lembraremos de você. – ela lhe deu um grande abraço e ele disse “obrigado” desaparecendo.

~Fim~

~Beijos de luz da Aurora ☄️☄️☄️

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