O Trajeto : Acampamento

    Essa é a história de como uma menina que não se achava forte o suficiente se tornou a Tenente das Caçadoras de Ártemis. 

     Vocês sabem o que aconteceu para eu estar aqui na caçada. Essa história já lhes foi contada há muitas luas e o link está aqui ao lado, mas essa história que eu vou contar aconteceu depois disso, mas antes de eu me tornar quem sou hoje.

    No dia em que eu cheguei na caçada foi uma confusão. A Tenente Rob havia me recebido e me levado ao meu quarto que ficava ao lado do da minha madrinha Tinne ,a caçadora que subiu por Apolo, e simplesmente me deixou lá para resolver um problema que havia acabado de acontecer. Eu não a culpo, o acampamento das caçadoras realmente estava um caos. Haviam meninas correndo de um lado para o outro carregando armas, comida, mochilas gigantes e os lobos também estavam em alvoroço.
    – Estamos nos preparando para ir ao Acampamento- Disse uma voz que apareceu por trás de mim.
    – Acampamento? – Perguntei me virando.
    Quem estava atrás de mim era uma garota mais ou menos do meu tamanho, ruiva e bem magra. Ela vestia a camiseta das Caçadoras, mas parecia mais a vontade de short do que com as calças camufladas que as outras caçadoras estavam usando.
    – Acampamento meio-sangue – Disse ela me cumprimentando- Eu sou Tinne, a sua madrinha e aparentemente irmã. – Ela sorriu
    – Aurora- Respondi sorrindo também.
    – Muito bem , ” Aurora”. Aqui na caçada as recrutas não usam os seus nomes, mas você deu sorte. Estamos recomeçando a contagem e você será chamada de Arktoi 2.
    – Então ok… ( Claramente eu achei aquilo tudo estranho, mas animador ao mesmo tempo) Por que as caçadoras iriam para outro acampamento? Nós já não temos o nosso?
    – Temos e são mais de um, mas isso não vêm ao caso. Nós somos as melhores arqueiras que existem já que somos treinadas pela deusa da caça em pessoa ( literalmente) e o Acampamento fez um acordo com a nossa deusa de que caso os ajudássemos iriamos ter um estoque praticamente infinito de frutas e legumes. Em minha opinião, não foi muito justo porque temos que ensinar campistas INICIANTES a manejar o arco, mas pelo menos é só uma vez por ano…
    Bom, eu poderia muito bem pular a minha primeira experiência  no Acampamento Meio-Sangue, mas pelas minhas fãs, eu vou contar a história.  
    Durante aquela noite ( a minha primeira no nosso acampamento ) eu não consegui dormir. Eu me virava para todos os lados, bebia água, ia ao banheiro ( uma duas vezes, foi muita água) e nada de conseguir dormir. Até que às 5 horas da manhã eu consegui pegar no sono. No mesmo instante o alarme soou. 
    ” Tá de brincadeira! O alarme aqui toca das 6 horas da manhã!?” – Pensei brava e me levantando.
    Sim pessoal, essa Aurora Brilhinho do Amanhecer só surgiu depois da caçada. Antes eu era uma reles semi-mortal que odiava acordar cedo como o resto do mundo, principalmente se eu só tinha dormido por uma hora.
    Fui me arrastando até o banheiro, tomei um banho morno tentando não dormir e coloquei o meu uniforme de Arktoi. ( Uniforme da caçada nesse link -> Uniforme das Arktoi). Abri a porta do quarto com uma surpresa. Um lobo preto e branco me esperava com o rabo balançando de um lado para o outro e com uma sacola nas costas escrito ” Arktoi 2″. Acariciei com alegria o meu amiguinho e peguei a mochila. Lá tinha uma bandana amarela com um sol desenhado, um pacote de biscoitos e duas garrafas transparentes uma com suco e outra com água. 
    Nico ( o lobo alegre) viu que eu já havia pego as minhas coisas e se sentou esperando algo. Eu, com pena, dei um dos meus biscoitos e ele saiu feliz da vida para outro canto.
    Eu fiquei procurando a minha madrinha naquele acampamento, mas aparentemente as caçadoras haviam desaparecido e apenas as Arktois haviam ficado. Procurei algo mais na minha bolsa e encontrei um bilhete.

    ” Caras Arktoi,

   Como sabem, temos um acordo com o Acampamento Meio-Sangue e nossas caçadoras devem ajudar os campistas em seu primeiro treino de arco. Vocês também participarão desse treino, mas como vocês são futuras CAÇADORAS irão precisar dar o melhor de si, ou seja, não vamos facilitar para vocês. As caçadoras formadas já estão no local preparando a aula e deixaram um ônibus para levar vocês para lá. Encontrem o ônibus.

                                                                         Com amor, Ártemis”

     -ENCONTREM O ÔNIBUS?!-Quase gritei quando eu vi ( ok, eu posso ter gritado mesmo), mas isso não era uma boa forma de começar o dia ou uma vida ou uma imortalidade. Tinham outras Akrtois lá, mas acho que só eu me surpreendi com a notícia porque as outras já haviam guardado a carta e saído dos dormitórios.

    Eu nem sabia por onde começar quando uma garota de cabelos castanho escuro, óculos de sol ( pareciam caros) e uma bandana marrom veio até mim.
 
    – Você tem um lobo, não tem? – Ela apontou para o Nico que estava correndo atrás de uma borboleta ( pobre borboleta).

    – Bom, ele não é meu, mas somos amigos, por que? – Respondi guardando a carta.

    – Olá, meu nome é Gabriela, Arktoi 1, filha de Hefesto e eu tenho um plano para achar aquele ônibus.
 
    – Aurora… Arktoi 2 , eu acho, e Filha de Apolo… Qual é seu plano?

   – Aurora, ele é um lobo.

   – Idaí? – Perguntei realmente sem entender o plano dela.

    – O que os lobos fazem com seus fucinhos?

    – Cheiram… AH! ENTENDI! VOCÊ QUER…- Ela tapou a minha boca.

    – Isso, mas não precisa ficar gritando o plano.

    – Por quê?

    – Porque não queremos que todas escutem.

    – Ué, mas todas não precisam ir também?

    – Sim, mas soube que Ártemis prepara uma surpresa para as primeiras que chegarem.

    – Surpresa? Isso me parece interessante.

    – Ótimo, então você topou, maravilha.

    – Tenho uma condição para ajudar.

    – Condição? Você já vai chegar antes de todas!

    – Exatamente o contrário, quero levar todas. Você pode ir na frente para conseguir o prêmio, mas eu vou ajudar as meninas.

    – Tá, faça o que quiser.

    Eu chamei todas as meninas que ainda pareciam perdidas como eu e as agrupei no centro do acampamento contando o plano da Gabriela. Todas aceitaram e eu fui até o Nico barganhar, o que foi fácil porque eu só precisei dar um biscoito para ele cheirar um pingente de carro que uma das Arktoi mais antigas garantiu que era do ônibus.

    O trajeto até o ônibus foi tranquilo levando em consideração de que ele estava dentro do acampamento e tínhamos um farejador potente. Chegando lá encontramos algumas Arktoi sentadas esperando. Elas nos disseram que estavam lá tinha um tempo e que a porta só se abriria se todas estivessem juntas. Olhei para a cara da número 1 e ri. Ela revirou os olhos e entramos no ônibus.

    O Nico ficou lá sentado como se soubesse que não poderia ir e fomos até o acampamento, que eu não lembro onde é porque eu dormir o trajeto todo ( em todas as vezes que eu fui,acho que virou uma tradição).

    Chegando lá, fomos recebidas por um centauro, um homem baixinho com camisa roxa ( que me falaram quem era depois de eu ter dado uma risadinha) e Ártemis. Ela estava um pouco diferente, mas sabíamos que era a deusa.

    Ela nos recepcionou, mas logo foi em bora nos deixando nas mãos dos diretores do acampamento. Suas ordens eram que fossemos campistas normais por esse dia e teríamos fazer tudo o que os diretores mandassem. Claro, tudo dentro das leis da caçada.

   A primeira atividade foi o café da manhã, o que eu agradeci com força aos deuses porque eu estava faminta já que metade dos meus biscoitos foram para o lobo interesseiro. Me surpreendi com a comida azul que serviam lá ( desde pão de queijo até chocolate quente) e fiquei com dúvidas na hora de jogar as sobras na fogueira. Os campistas estavam fazendo oferendas para os seus pais, mas eu estava com Ártemis agora, precisava fazer para ela, mas por que raios me deram uma bandana amarela de Apolo?! Bom, eu fiz o que uma pessoa sã faria, fiz para a Ártemis e fiquei feliz com isso. Tem lendas que dizem que ela é meio vingativa,né. 

    Seguindo tivemos umas atividades de mitologia e fomos divididos em times de acordo com os nossos progenitores divinos. De novo, eu não sabia para onde ir, mas as outras meninas estavam indo para o lado de seus pais e eu fui na onda. Aparentemente o chalé 8 é composto apenas de caçadoras formadas. Foram várias competições entre os chalés e equipes de mais de um chalé até a grande hora, a aula de arco.

    Claramente eu fui correndo na frente, ansiosa, e me coloquei no inicio da fila para aprender a atirar. Encontrei as Caçadoras na frente das filas e uma com cada arco na mão, prontas para ensinar a próxima pessoa. Não lembro em qual fila eu entrei, só sei que errei 90% das vezes que atirei, mas os 10% foram no meio. Errei por diversos fatores, mas o maior deles foi o sol. Ironia, não? O sol estava o mais quente que já tinha visto em Brasília e magicamente ele aparecia na minha cara quando eu ia mirar.

    “Muio engraçado , PAI” – Pensei. Na hora surgiu uma imagem na minha cabeça da oferenda que eu havia feito à Ártemis. ” Tá já entendi! Mas você sabe que eu não posso fazer isso” – Ai eu errei de novo por causa do sol. Depois de um tempo eu resolvo esse problema com Apolo, mas isso é para outra história.

    Conheci muita gente interessante nesse dia, alguns bem maluquinhos, mas gente boa. As Caçadoras trataram todos super bem e fomos todas muito bem recebidas, mas as intrigas estão em um jogo chamado ” Caça-Bandeiras”.

    O jogo começou após a atividade de tiro, mas não fomos permitidos usar o arco naquele momento então todos usaram os gládios. Claro, os gládios não eram verdadeiros Pelo menos foi o que falaram. Fomos divididos em 2 equipes e nos deram uma bandeira para esconder no nosso campo. Logo, uma filha de Ares tomou a liderança da nossa equipe e fez estratégias de combate para roubar a bandeira ( e ela também se torna uma Arktoi no futuro, mas isso também é outra história). Eu fiquei na defesa da bandeira e deixando ninguém passar

   Nossa , como eu gostei da sensação de manejar uma gládio! Foi realmente maravilhoso o meu primeiro contato com uma arma de corpo a corpo, mas claro, a minha paixão sempre será a Fauna.

   Nosso time venceu o jogo e saímos comemorando com a bandeira na mão por todo campo. Estávamos mortas de cansaço no final, mas muito felizes. Já era hora de voltar para casa e fomos uma por uma entrando no ônibus e olhando pela janela o que estávamos deixando para trás, mas tudo bem, ano que vem tem mais.

~Continua

~Beijos de Luz da Aurora <3

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