Pseudo morte de Caimana!

  Oi gente aqui é a Recruta 29, ou mais conhecida como Caimana. Vou contar à vocês o dia mais divertido (para mim, porque a minha irmã não concorda com isso!) e talvez (com certeza) o mais perigoso também!
   Para vocês não ficarem perdidos essa história é contada em três pontos de vista: o meu, da minha querida irmã Kennis e da nossa amada louca do glitter Aurora.
   Bom, tudo começou como uma manhã normal no Acampamento,
mas eu não aguentava mais a rotina de só treinar lá dentro, queria sair para
caçar de verdade. Mas sendo apenas recruta,por pouco tempo eu espero, não
poderia nem sonhar em sair do acampamento sozinha. Até porque se eu saísse, o lobinho da
minha senhora com certeza viria atrás de mim e eu não poderia arriscar que ela desaparecesse de novo. Então tive a ideia mais brilhante e talvez a
mais suicida da minha vida: chamar a minha irmã para ir comigo, pois como ela
já estava a mais tempo na Caçada, poderia me acompanhar num treino perto do acampamento…
   Então reuni toda a coragem que eu
achava que tinha e fui até o refeitório que, por sorte, era onde a minha
querida irmã se encontrava. Quando entrei a vi conversando com a Aurora -juro
que não entendo a ligação delas-, então peguei algo
para comer e me sentei ao lado de Kennis. Por um tempo elas nem perceberam que
eu estava ali, até que a minha irmã, delicada como é, (só que não) me olhou e
disse: 
 -Desembucha logo, o que você
quer dessa vez? 
   Então eu, com toda a educação,
respondi: 
– Nossa, até parece que eu só te
procuro quando quero alguma coisa… 
   Ela arqueou a sobrancelha e me lançou um
olhar que dizia “te conheço Caimana!” Contei a ela
os meus planos e ela fez uma cara de que iria me dar uma flechada, mas antes
que ela voasse no meu pescoço a Aurora interveio: 
 – Parece ser uma boa ideia, vou falar com
Lady Ártemis e ver se ela
permite tal saída. 
   Ela foi ela saltitando em direção ao escritório
da nossa senhora e ficou um silêncio mórbido no
refeitório até que minha
irmã resolveu falar: 

– O que deu na sua cabeça de querer
sair? Você ainda não é
suficientemente treinada para querer caçar lá fora. 
  Isso me atingiu como se fosse uma
flecha atirada pela Selene. Como assim eu não poderia sair? Abaixei a cabeça e
fiquei esperando a Aurora voltar com a resposta de Lady Ártemis. Depois de
algum tempo a Aurora voltou dizendo que a nossa senhora tinha permitido que eu
fosse caçar, mas somente se fosse
acompanhada de outras duas caçadoras e pelo menos um dos lobos, então na mesma
hora olhei para a minha irmã com aquele olhar de cachorrinho que caiu da
mudança.
-Por favor, por favor, vamos… Por
favor.
  
  Por um milagre de Atena ela topou ir
comigo e óbvio que a Aurora também, então voltei para
o meu quarto para buscar a minha adaga, a aljava e um arco de treinamento. 
Enquanto
esperava as meninas, resolvi treinar um pouco a mira com Bob “o
espantalho”. Uns dez minutos depois eu vejo a Aurora e o Nico vindo
vestido de Cãobulância (podia ser
necessário) e logo atrás dela vi
minha irmã com a cara fechada que às vezes assusta e Argo em seu ombro.
  Já estávamos quase na saída quando
escutei um latido e, ao me virar, vi Lilly correndo atrás da gente
como quem diz “Também vou!”. Saímos do Acampamento e eu não conseguia
me conter de tanta felicidade. Logo atrás de mim
vinham minha irmã e seu
carcará voando baixo demais para o meu gosto e  logo atrás a Aurora, o Nico e a
Lilly deitada toda preguiçosa na Cãobulância.
   No início Kennis parecia só
estar lá por obrigação, mas depois de algum tempo ficou diferente, com uma aura
poderosa de caçadora que eu só tinha
visto na Aurora e na Obi.
Treinamos durante horas e acertei vários tiros – o que me deixou radiante -,
pois a minha mira tinha melhorado muito.
– Nos afastamos demais do Acampamento
e os lobos parecem ansiosos. Devíamos voltar, já está tarde.
   Aurora disse pouco antes de uma
movimentação estranha na vegetação a alguns metros de nós. Armamos nossos arcos
e vimos um senhor estranho sair do meio das folhagens.
-O que nós temos aqui? Duas caçadoras
e meia nos meus domínios…
   Kennis guardou o arco e se aproximou
do senhor, sendo a perfeita filha de Atena que é.
– Peço desculpas pelo incômodo, não
sabíamos que estávamos em um terreno proibido. Estávamos apenas treinando, mas
já estamos indo embora.
  O senhor soltou uma gargalhada maléfica e se
transformou em um ser com cabeça de homem, corpo de leão e cauda de escorpião.
Manticore
– Vocês acham que vai ser tão fácil assim sair
daqui? Estão muito enganadas minhas queridas caçadoras.
Kennis
   Meu
arco estava guardado e só tive tempo de me abaixar enquanto ele caía com as
patas no chão e disparava um espinho envenenado em minha direção.Vi uma flecha
acertar o rosto de homem do monstro e me levantei e corri, enquanto armava o
Paciência. Argo desceu dos céus me dando cobertura, distraindo o monstro. Parei
ao lado das meninas e comecei a atirar flecha após flecha, mas algo estava
errado, o monstro parecia se enfurecer mais ao invés de ser derrotado. Éramos
duas Caçadoras formadas e uma recruta atirando, além de um carcará o bicando e
arranhando, mas ele não morria.

Precisamos coordenar o ataque. Vamos mirar nos pontos mais fracos, como olhos e
boca. Cuidado com os espinhos. – Disse para as meninas.
   Elas
concordaram e Aurora soltou Nico da carrocinha de ambulância, para que
tivéssemos cobertura sem correr o risco dele se machucar. Ele e Lilly
imediatamente correram para cima do monstro, desviando e mordendo suas patas,
enquanto o empurravam. É normal os animais da matilha defenderem as Caçadoras,
principalmente quando eles tem uma ligação especial com alguma delas, mas
Caimana – para variar – se desesperou ao ver Lilly tão perto dos espinhos da
cauda e gritou.

Abaixa!
   Obviamente
isso serviu de aviso para todos os presentes e todos abaixaram, inclusive
Aurora e eu. Argo voou para longe da cauda e Nico mordeu uma das patas
dianteiras. Lilly correu para longe dos espinhos e eles voaram em nossa
direção. Nossas flechas se chocaram com eles e os interceptaram no ar.

Ele não morre! O que está acontecendo? – Aurora parecia frustrada, nunca
havíamos enfrentado um monstro tão difícil de matar.

Não sei, mas acho melhor avançarmos um pouco. Ele parece se defender das nossas
flechas, então talvez devêssemos partir para as lâminas. A matilha nos dará
cobertura. Eu vou pela esquerda atirando e você pela direita, Aurora. Caimana,
fique atrás da carrocinha e nos dê cobertura. Quando chegarmos perto o
suficiente para atacar com o gládio, os puxamos.

Mas eu quero ajudar!

Você irá, Cai. Mas precisamos que fique em segurança.
    Ainda
bem que Aurora explicou de forma delicada, porque eu simplesmente fechei a cara
e encerrei a discussão com um olhar. Dividimos-nos da forma que falei e
avançamos atirando. A matilha percebeu a nossa formação e intensificou o
ataque, confundindo o monstro para que ele não nos percebesse. A cerca de 3
metros do monstro, Aurora guardou a Fauna -seu arco- e desembainhou a Primavera -seu gládio-, enquanto eu rodava o Paciência e pegava meu dual. Corremos para
cima do monstro, desviando, atacando e recuando, numa formação perfeita.  Percebi que as flechas haviam diminuído, mas
achei que a Cai estivesse com medo de nos acertar. O monstro finalmente parecia
mais cansado e estava recuando, o que nos deu terreno para avançar mais.
   Os
lobos recuaram para nos dar espaço para dar o golpe final e Argo entendeu que
eu precisava de espaço para poder atacar. Quando tivemos uma visão livre
atacamos em V, correndo para cima do monstro. Vi ele disparar vários espinhos e
consegui me defender da maioria, menos de um, que apesar de partido voou em
minha direção. Antes mesmo que pudesse desviar, vi alguém pulando na minha
frente e caindo no chão. Minha mente estava focada na batalha e me mantive
correndo, pulei por cima do corpo no chão e acertei o monstro ao mesmo tempo
que Aurora. O monstro explodiu em cinzas e quando olhei para trás, vi Caimana
caída no chão com um ferimento do espinho no ombro.
   Lilly
chegou primeiro e a lambia, tentando faze-la acordar, mas ela não se mexia. Abaixei
e senti que sua pele esfriava, tentei medir os batimentos em seu pulso, mas não
conseguia identificar nada.

Aurora!
– Já
estou aqui, calma.
   Ela
se abaixou e pressionou o pescoço da minha irmã e pareceu satisfeita. Respirei
aliviada, pelo menos ela ainda estava viva. Ela tocou o ferimento
delicadamente, pegou o espinho que estava ao lado da minha irmã, e o enrolou na sua
bandana. Encostou no ombro de Caimana e vi sua pele brilhar, como sempre
acontece quando ela está curando alguém, mas ao contrário do esperado Cai não
acordou. Nem se mexeu na verdade. Olhei preocupada para Aurora.

Precisamos leva-la de volta para o acampamento, lá terei mais recursos.
   A
carregamos até a carrocinha e Aurora colocou a bandana com o espinho enrolado
dentro de um vidro. Prendeu Nico e voltamos correndo para o acampamento da
Caçada.
Aurora
   Tudo
aconteceu muito rápido. Nós chegamos correndo no acampamento e fomos mais
rápidas ainda até a enfermaria. Eu e Kennis deitamos a Caimana em uma das macas
e eu pedi para a Kennis olhar o bestiário e no livro de ervas se tínhamos
alguma informação sobre veneno de Manticora enquanto eu continuava tentando
extrair ou anular o veneno através do meu “Brilho”.  Desde que vi que ela ainda estava viva, não
parei de tentar cura-la porque sabia da potência daquele veneno.

Não fala nada sobre o veneno… A não ser…- Ela olhou para mim com uma
enorme tristeza nos olhos- Que ele mata na hora…
 – Não!
Ele não mata na hora! Ela ainda está viva! – Eu continuava tentando cura-la.
 – Aurora,
talvez ela só esteja viva porque você a está curando a cada segundo… Uma hora
as suas energias vão acabar… – Kennis estava triste de um jeito que eu nunca
havia visto.
 – Não!
Não vou desistir assim. – Nesse momento, a porta abriu e várias recrutas caíram amontoadas no chão.
 – Meninas!
– Gritou Kennis enquanto escondia uma pequena lágrima que ela sem querer deixou
escapar.
    Uma
delas se levantou primeiro e disse:
 – Nós
vimos vocês chegando correndo e queríamos descobrir se a Caimana estava bem.
   Kennis
olhou para mim com o seu olhar “O que eu digo Aurora?! Não sou boa com essas
coisas.” (Se você está lendo isso Kennis, sim, você tem um olhar assim) e eu
disse:
  – Ela
vai ficar bem… – Eu não acreditava nas minhas palavras e parecia que elas
também não estavam acreditando porque seus olhares foram ficando cada vez mais
baixos.
   Uma
delas se aproximou de nós e colocou uma das mãos meu ombro e a outra na mão da
Caimana dizendo:
  – Estamos
com vocês. Caimana, não vamos te deixar ir agora! E você ainda me deve uma
coxinha!
   Então,
eu senti uma forte energia vindo para mim e a Caimana apertou a mão da recruta.
Foi aí que me veio a luz de como salvar a minha amiga.
 – Meninas!
Corram! Chamem todo o acampamento para cá! Eu preciso que todas vocês deem as
mãos e fechem um círculo comigo e com a Cai. Acho que juntas podemos salva-lá.
   Minha
energia estava acabando, mas o tempo de todas chegarem foi o suficiente para eu
poupar as últimas gotas que eu tinha. Todas deram as mãos e eu senti a força
vindo até mim e foquei exatamente tudo o que tinha no ferimento.
   Assim
que a energia acabou, todas soltaram as mãos, exaustas. Eu me sentei no chão
pois já não conseguia suportar o meu próprio peso. Então… Todas as meninas
começaram a comemorar, acho que a Caimana abriu os olhos. Eu queria muito ver,
mas assim que eu tentei me levantar, a minha visão escureceu e eu apaguei.
Caimana
   Assim
que eu abri os olhos vi todas as meninas ao meu redor, fiquei até assustada com
tudo aquilo, até a Lilly e o Nico estavam na beirada da cama com carinhas
tristes, mas quando fui tentar me levantar senti uma pontada no meu ombro,
virei para a Kennis e perguntei:
-O
que aconteceu? – com a voz bem fraca.
Kennis
   Fiz
a melhor imitação que consegui do “olhar” de Lady Ártemis para
Caimana, que se encolheu um pouco. Pedi ajuda para as meninas e colocamos
Aurora em uma maca. Sua respiração estava tranquila, ela tinha acabado com suas
energias mas ia ficar bem.

Preciso que tragam ambrosia e néctar para as meninas, por favor. Ficarei aqui
com elas.
– E
os lobos? – Caimana me perguntou.

Isto é uma Enfermaria, não deviam nem ter entrado aqui. Por favor os levem para
o canil. Elas vão ficar bem, só precisam de repouso.
   Os
lobos rosnaram para mim, mas no fundo sabiam que não podiam ficar, então depois
de algum tempo (que envolveu cheirar as meninas e me olhar feio), concordaram
em sair.     Fechei a porta depois que a última recruta passou e olhei feio para
Caimana.
– O
que você tem na cabeça? Você é louca? Como entra na frente de um tiro?

Ele ia te acertar, não pensei direito…

Percebi que não pensou, você quase morreu!
– Se
acertasse em você, você iria morrer!

Baixas acontecem na Caçada, é normal. Nossa imortalidade não nos protege caso
caiamos em batalha.

Não ia suportar perder você…
– E
você acha que eu ia? Você é minha irmã. E quase morreu
por minha causa, nunca ia me perdoar…
   Não
sei em qual momento parei de gritar e me sentei na cama. Caimana chorava
baixinho.

Nunca mais desobedeça uma ordem direta. Se alguém te mandar ficar quietinha em
um lugar, fique. Entendeu?

Entendi. Desculpa.

Tudo bem… Tá tudo bem agora.
   
   Ela
me abraçou e eu retribuí. Nesse momento bateram na porta e uma outra irmã nossa
entrou com uma bandeja com néctar e ambrosia. Ela estranhou a cena e me olhou
confusa, o que é compreensível já que não gosto de muito contato físico e
demonstrar sentimentos.

Pode deixar a bandeja nessa mesinha entre as duas, Amanda. Obrigada.

Precisa de mais alguma coisa?
– As
meninas precisam descansar, vamos deixa-las quietinhas.
Depois
de fazer Caimana beber um pouco de néctar e checar novamente Aurora, saímos do
quarto. No corredor me deparei com todas as Caçadoras e recrutas com expressões
preocupadas.

Elas vão ficar bem.
O
suspiro de alívio foi coletivo, mas a preocupação não foi completamente embora.
Acabamos nos revesando em turnos para ficar de olho nelas.
 Aurora
Eu
acordei com Ártemis me encarando ao pé da minha cama. Sentei na cama e logo
procurei a Caimana que, quando percebi, estava dormindo tranquilamente na maca
ao lado da minha.
Suspirei
com alívio, abaixei a cabeça e coloquei a mão sobre meu rosto.
– Eu
disse que não era uma boa ideia, Aurora. – Disse Ártemis enquanto sentava na
minha maca. – E por sua teimosia e por ser a caçadora mais antiga, terá
consequências.
– Eu
entendo… – continuei com a cabeça baixa. – Pelo menos a Cai está bem-
sussurrei.

Acho
que a Caimana tem algum sexto sentido estranho que percebe quando dizem o nome
dela porque assim que eu terminei de falar ela acordou e se sentou com um
susto.
-Olá
recruta 29. – Disse Ártemis olhando para ela.
Aparentemente,
Caimana ainda não sabia como agir na presença da deusa, e soltou um ”
Oi” baixinho…

Depois conversamos sobre a sua punição, Aurora. Agora, descanse… Nos vemos ao
anoitecer.
Ártemis
saiu da sala deixando eu e a Cai a sós.
– Punição?
– Pergunto ela quebrando o silêncio que Ártemis deixou quando saiu.
– Sim…
Eu estava responsável por vocês… Eu não lhes contei na hora, mas Ártemis não
queria permitir que saíssemos do acampamento, mas você sabe como eu sou
teimosa, né?
– Sei.
– ela deu uma risadinha
– Então,
Ártemis também sabe e depois de eu muito insistir, ela permitiu que fôssemos    desde que eu fosse a responsável por tudo o que poderia acontecer.
 – Mas
não foi culpa sua! Como iriamos saber que tinha uma Manticora por lá?!

Isso não importa agora, Cai. Eu era a responsável e devo sofrer as
consequências.
 – Mesmo
com você me salvando? Obrigada por isso, falando nisso.
 – Eu
só fiz o meu trabalho… Eu não podia deixar você ir.
 -Tá
mas… – Nessa hora, eu me levantei interrompendo a fala de Caimana e fui até a
porta  da enfermaria. Meus corpo ainda estava fraco, mas eu conseguia me mover.
 -Cai,
não se preocupe, só descanse. – E eu saí da enfermaria.
   Fui
para o meu quarto, que não era muito longe. Na verdade ficava ao lado da
enfermaria, mas com a força que eu tinha na hora, pareceram quilômetros. Nico
estava me esperando na porta, todo alegre com aquele rabinho lindo balançando.
Cara, eu adoro aquele espanador preto e branco. Ele ia pular em cima de mim,
mas percebeu que eu não estava bem e deu meia volta abrindo a porta do meu
quarto (sim, ele sabe abrir a porta). Deitei na minha cama e esperei anoitecer.

Caimana
   Passei
o resto daquele dia na enfermaria e quando anoiteceu ouvi pelos auto falantes
do acampamento que todas nós deveríamos nos dirigir a parte central, pois
Ártemis tinha um anúncio para fazer a todas nós. No mesmo momento o meu
pensamento foi até a Aurora que iria ser punida porque eu queria sair. Realmente
a Kennis tem razão, eu não tenho nenhum juízo.
 -Não
importa o que aconteça eu vou ficar com ela.
   Então,
levantei com uma certa dificuldade da maca e fui em direção a pátio central do
acampamento. Quando me aproximei, vi que as meninas estavam sentadas de acordo
com a distribuição dos chalés no acampamento meio sangue. Vi a Kennis e a
Amanda juntas na parte que era determinada para o chalé de nossa mãe e então me
acomodei na parte destinada para a minha protetora e logo olhei em volta em
busca da Aurora, e como não encontrei fiquei cada vez mais preocupada. Então
virei para a recruta que estava do meu lado e perguntei:
 -Duda,
sabe da Aurora?
 -Pior
que não Cai, não a vejo desde cedo.
   Essa
resposta me deixou mais preocupada do que eu já estava… Foi então que eu vi a
Aurora vindo, mas com a ajuda do Nico para conseguir dar passos firmes. Ela
parecia estar meio mal ainda, o que me fez sentir uma enorme culpa, então olhei
para Kennis e percebi que ela estava com a mesma expressão que eu, murmurei para ela sem emitir nenhum som:
 -Nós
vamos ajuda-la né?!
   Ela
arqueou as sobrancelhas como que diz “com certeza”, esses olhares da minha
irmã me assustam. Vimos Aurora se acomodar ao lado da Recruta 47 e alguns minutos depois Lady Ártemis veio
para junto de nós e começou a falar o motivo daquela reunião.
 -Boa
Noite meninas, a noite hoje está linda não está?
   As
novas recrutas se olharam e concordaram com a deusa, porém as caçadoras e as
recrutas mais antigas se olharam como quem dissesse -isso não é um bom sinal- e
a deusa continuou​.
– Pois
bem eu gostaria muito de poder ficar aqui com vocês apenas observando a noite,
mas estamos aqui para discutir os acontecimentos da noite de ontem que
envolveram as caçadoras Aurora e Kennis e a recruta 29. Como todas sabem, elas
saíram para uma caçada e acabaram sendo atacadas por uma​ manticora e a recruta
acabou gravemente ferida. Mas graças a união de vocês, ela está de volta ao
nosso acampamento sã e salva. Porém, uma das meninas estava encarregada de ser
responsável por tudo que viesse a acontecer nessa saída, que eu particularmente
só permiti depois de muita insistência da mesma….
    E a
deusa continuou falando por um tempo, porém a minha mente estava trabalhando a
mil por hora em como eu poderia salvar a minha amiga, então a ideia veio como
um estalo na minha cabeça e, sem pensar duas vezes, fui passando a ideia para
todas meninas –tipo um telefone sem fio. Pareceu que todas tinham apoiado a
minha ideia até mesmo a Kennis, por incrível que pareça.
-…
então eu decidi que isso não pode passar sem uma punição e a punição para a
teimosia da Aurora será ficar imóvel segurando o alvo enquanto treino a minha
mira.
   E
assim que Ártemis terminou de falar eu levantei e disse:
-Minha
senhora, a culpa não foi da Aurora, e sim minha. Pois eu que queria sair. Essa punição
deveria ser aplicada a mim.
    Assim
que terminei de falar todas as meninas se levantaram e disseram em coro:
-NÓS
SOMOS UMA EQUIPE E FICAREMOS TODAS JUNTAS! –até o Nico ficou alegre e quase
derrubou a Aurora da cadeira-.
  
   Ártemis
ficou impressionada com a união que a caçada estava demonstrando nessa situação
e se posicionou sobre o assunto.

Pois bem, já que nós temos três envolvidas no caso, a punição será dividida
entre elas e as outras fiquem sobre aviso. Então Kennis, Aurora e Recruta 29 se
encaminhem até o meu escritório.
   Assim
que Ártemis saiu, fui até a Aurora para ajudá-la a se manter com os passos
firmes e caminhamos eu, ela, Kennis e o Nico -é claro- em direção ao escritório
de Lady Ártemis. Quando chegamos lá a deusa estava sentada com a Lilly ao seu lado,
me controlei muito para não chama-la.
-Sentem-se
meninas, e não se preocupem não vou mandar vocês segurarem o alvo, ela esboçou
um sorriso. Aquilo foi só para deixar as meninas em alerta, a verdadeira punição
de vocês não será nada demais. Assim que a Aurora e a Recruta estiverem
melhores e conseguindo se movimentar sem auxílio, vocês irão limpar o estábulo
e o canil por uma semana apenas. Kennis e Aurora, podem se retirar que eu
gostaria de falar a sós com a recruta 29.
  As
meninas me olharam e disseram:
-Vamos
te esperar lá fora.
   Assim
que elas saíram, a Lilly veio e lambeu minha perna como quem diz “estou aqui”,
foi quando Ártemis disse:

Você foi corajosa e tola ao mesmo tempo tentando proteger a sua irmã, então
além da punição você merece os meus parabéns. E já que a Lilly parece gostar
muito de você e vocês parecem ter uma conexão bastante forte, fique com ela
para ajudar em sua proteção. É isso, pode sair.
-Obrigada
minha senhora!
   Assim
que saí, as meninas me perguntaram o que a deusa tinha dito. Contei a elas, fui
para o meu quarto -não aguentava mais aquela enfermaria- e na semana seguinte
começamos a nossa punição que acabou virando uma disputa de quem terminava mais
rápido – que a Kennis tinha certa vantagem graças ao Argo, terá volta maninha, me aguarde- e assim uma simples caçada se tornou quase um dia fatal e uma
punição se tornou um dos dias mais divertidos na caçada!
 FIM!
Até a proxima,beijinhos Cai ❤

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