Relatos de missão: Em busca do ingrediente do sucesso!

Olá semideuses! Aqui é a Kennis, a mais nova Caçadora que vocês respeitam. Continuando o quadro “Relatos de missão” venho contar a minha, que começou com a busca de um simples ingrediente para um bolo e acabou comigo procurando um cão fantasma…

Assim como o Acampamento Meio-Sangue vende morangos para os mortais, a Caçada também vende alguns alimentos para arrecadar fundos. É complicado manter tantas meninas que precisam de roupas, comida, sapatos, armas… Por isso a Confeitaria da Caçada foi fundada. Não temos ponto fixo, mas saímos com isopores pelo Parque e outros lugares vendendo nossas especialidades. Alguns produtos são destinados a mortais, como brigadeiro e bolo; mas outros são para semideuses. Eles levam néctar, ambrosia e alguns outros ingredientes especiais, que proporcionam força, agilidade e contribuem com a cicatrização. É o caso do chocolate especial, fazemos os brigadeiros de Oreo com ele e é sucesso entre os semideuses, pois restaura a energia e não tem limite de consumo, como a ambrosia por exemplo.

Numa bela manhã de sol eu estava ajudando a tenente Cami a fazer os produtos da Confeitaria. Nós íamos começar a fazer nosso Divino Bolo (Uma gota da essência da flor narciso para dar beleza; um pedaço pequeno da pétala de lótus para dar um gostinho leve – e fazer as pessoas gostarem -; raspas da casca de uma maçã dourada para dar brilho e incentivar o desejo; e canela, porque tudo fica melhor com canela) quando percebemos que a lótus havia acabado. Podíamos fazer a receita sem ela, mas não seria a mesma coisa… Todos os ingredientes são fundamentais e nossa qualidade é a marca registrada dos nossos produtos. Nossa fornecedora só viria em duas semanas e estávamos pensando em levar alguns quitutes para vender no Casa Park no dia seguinte.

– Não faremos o Divino Bolo então? – perguntei à Cami.
– O problema é que ele tem muita saída… Não faz sentido irmos para o Casa Park e não levar todos os produtos. – Ela parecia chateada e pensativa.
– Eu posso ir até a loja de Íris comprar mais… Você pode ir adiantando as outras coisas enquanto isso.
– Não sei Kennis, pode ser perigoso. Você acabou de se tornar Caçadora e isso atrai certa quantidade de monstros que uma recruta não atrairia.
– Mas minha tenente, eu já fui lá contigo uma vez. Não deve ser tão difícil voltar sozinha.
– A loja muda de lugar de tempos em tempos. Demoramos a encontrar, lembra?
– Sim… A senhora prefere ir lá então?
– Não, tenho outras atividades da Caçada para resolver e não posso me ausentar do Acampamento enquanto Lady Ártemis não está. Você pode ir, mas tome cuidado.
– Sim senhora.

Ela me entregou alguns dracmas e a recomendação de trazer também gotas de chocolate especial para fazermos biscoitos para as recrutas. Parti com o meu arco – Paciência -, minha aljava mágica, minha adaga – Compaixão -, e uma mochila de suprimentos. Na época eu não sabia, mas pouco depois que eu saí Cami foi até o quarto de Obi Wana e bateu na porta.

– Obi, preciso que você me faça um favor.
– Aconteceu alguma coisa?
– Não… Ainda. – Cami sussurrou essa última palavra e parecia um pouco aflita, o que fez Obi Wana se preocupar.
– Cami, você quer entrar? Nossa senhora mandou alguma mensagem? O que está acontecendo?
– Não, na verdade eu só preciso que você fique de olho na Kennis.
– Na Kennis? Por quê?
– A flor de lótus acabou e ela se ofereceu para ir comprar mais na loja de Íris. O problema é que ela acabou de se tornar Caçadora e nunca saiu sozinha. Eu sei que ela sabe se virar, mas estou preocupada. Pode só ficar de olho nela? De longe mesmo. Garantir que tudo ficará bem… Pensei em pedir pra Aurora, mas ela não sabe ser muito discreta…
– Claro, vou pegar as minhas armas.

Pois é, ganhei uma babá silenciosa e letal. E nem se deram ao trabalho de me avisar… Peguei um cavalo e saí do acampamento tomando a direção norte. Sabia que Flamboyants marcavam o caminho certo, mas um arco-íris indicava a entrada. Cavalguei durante horas e nada do arco-íris no céu. Sabia que estava na trilha certa por causa das árvores que continuavam a aparecer a cada dez metros, mas achava que estava andando em círculos. Convenci-me que estava perdida quando o sol começou a descer e a fome a apertar. Havia saído do Acampamento pouco antes da hora do almoço e já havia comido o lanche que tinha levado.

“Tudo bem, a loja muda de lugar… Você já passou por isso com a Cami.” – Eu pensava na situação passada e tentava me lembrar de como havíamos encontrado a loja quando um movimento quase imperceptível no limite da minha visão periférica chamou a minha atenção. Permaneci calada em cima do meu cavalo e virei a cabeça levemente para o lado, como se estivesse tentando reconhecer alguma particularidade quando vi de novo o movimento, mas dessa vez do outro lado. “Estão me cercando.” pensei. Havia sido avisada que Caçadoras atraíam mais monstros e até agora nenhum tinha aparecido. Fiz uma volta de 180° ainda montada e puxei meu arco da minha tiara. O Paciência cresceu e encaixei uma flecha na corda. Neste momento ouvi uma risada feminina e uma empousai saiu do meio das árvores. Seu andar manco me despertou lembranças e eu retribui o sorriso do monstro a alguns metros de mim.

– Ora ora, uma Caçadora de Ártemis sozinha no meio do bosque… Tá perdida, semideusa?
– Não, mas não posso dizer o mesmo de você. O Tártaro é bem longe… Quer ajuda para voltar?

Ela sorriu e avançou para cima de mim. Soltei a flecha que a atravessou perfeitamente, dissolvendo a empousai numa nuvem de poeira. O tempo necessário para armar novamente o arco foi suficiente para outra empousai atirar em mim. Consegui me abaixar a tempo, mas meu cavalo se assustou e empinou. Foi bem difícil segurar um arco e as rédeas ao mesmo tempo sem me machucar ou machucar meu cavalo, mas consegui permanecer montada. O monstro saiu do meio das árvores gritando em minha direção e o meu cavalo decidiu que correr era a melhor solução, mesmo que eu tentasse impedir. Consegui a muito custo colocar novamente o Paciência nos cabelos em forma de tiara e me segurar. Quando consegui acalmar o cavalo estava no meio de uma encruzilhada e o céu estava entrando no crepúsculo. Decidi desmontar antes que aquele animal me carregasse para ainda mais longe e o amarrei numa árvore próxima.

Aprendi sozinha, muito antes de ser Caçadora, a me localizar em parques; e com as meninas tive algumas aulas de rastreamento, mas aquele bosque parecia diferente, mais vivo e hostil. Não é fácil, mas eu estava começando a ficar nervosa. Respirei fundo e olhei ao redor tentando localizar alguma árvore familiar, mas não encontrei nenhuma. Sabia que parada iria atrair mais monstros, mas que escolher um caminho aleatório também poderia dar errado. Decidi então fazer uma oração para as três deusas que eu sabia que poderiam me ajudar.

– Mãe, por favor, me ajude. Estou sozinha em um lugar hostil, não deixe nada de mau me acontecer. Minha senhora proteja sua seguidora neste bosque. Ajude-me a cumprir minha missão. Senhora Hécate, deusa dos caminhos, por favor, me ajude a encontrar o caminho para a loja de Íris e para o meu Acampamento. – Abri os olhos e observei o meu redor. Uma árvore a cerca de 7 metros parecia um Flamboyant, mas com pouca luminosidade era difícil ter certeza. Quando dei o primeiro passo na direção da árvore pisei na encruzilhada e ouvi um rosnado. Puxei e armei o Paciência em menos de cinco segundos e olhei para os lados.

Uma mulher com vestes negras e sombras de cachorros ao seu redor tomou forma a poucos metros de mim. Ela era bonita e tinha longos cabelos negros, seus olhos eram sábios e ela irradiava uma aura extremamente poderosa. Transformei novamente meu arco em tiara, enquanto caía de joelhos e abaixava a cabeça.

– Rezou para mim, pequena Caçadora?
– Senhora Hécate, boa noite. Rezei sim.

Apesar de estar acostumada com a presença de Lady Ártemis, Hécate emanava uma energia diferente e eu não a conhecia bem para saber como me comportar, por isso permaneci calada e ajoelhada.

– Levante-se Caçadora. Você está perdida, não é? Precisa encontrar a lojinha de Íris e voltar para casa. Mas há um problema.
– Minha senhora? – Perguntei confusa.
– A lojinha já fechou a essa hora. À noite o mal toma forma e Íris prefere não se arriscar…

Eu sabia que a loja fechava a noite, por isso não esperei o almoço. Havia demorado bem mais que pensei.

– Mas se me ajudar eu posso te ajudar também. – A deusa sorriu de forma enigmática para mim e eu sabia que não ia gostar do rumo que a conversa estava tomando.
– E qual ajuda uma deusa tão poderosa poderia querer de uma simples semideusa?
Ela riu. – Sei que vocês ficam mais fortes quando se tornam Caçadoras. Consigo sentir uma pequena parte do poder da lua crescente em você. Por isso funcionará. Perdi um dos meus cãozinhos. Sirius não gosta de ficar junto da matilha, sempre prefere ir à frente, mas hoje ele desapareceu. Quero que o encontre e o traga para mim são e salvo.
– E o que a senhora me oferece em troca?
– Seus ingredientes culinários. Ah, e o caminho para casa.

Sabia que não podia recusar o pedido por que: 1- Não se recusa o pedido de um deus; 2- Hécate é uma deusa que até os Olimpianos tem grande respeito, pois a jurisdição de seu poder engloba céu, terra, água e submundo e 3- Já estava com um alvo pintado na testa para os monstros, não queria um para uma deusa também. Então eu esbocei um sorriso e concordei com a proposta, depois de fazê-la jurar pelo Rio Estige. Decidi deixar o cavalo amarrado na árvore porque ele ia me atrapalhar mais que ajudar. A claridade da lua nova iluminava o bosque. Já estava saindo quando a deusa me chamou novamente.

– Caçadora… Meus cães fantasmas não gostam de armas, muito menos de arcos. Se estiver usando o seu, meu cãozinho irá fugir ainda mais. – E riu.

“Ótimo, eu posso ser atacada a qualquer momento e não posso nem usar minha arma principal!” pensei. Concentrei-me em verificar as folhagens e trilhas a procura de passagem, mas nem sabia se cães fantasmas tinham as mesmas características de um cão normal. O bosque era enorme, sabia que ficaria dias procurando e não encontraria, então decidi subir numa árvore para ter uma visão ampla. Quando estava quase na metade da árvore um pássaro enorme, negro com as pontas das penas cinza, me deu um rasante. Consegui me segurar apesar do susto e olhei para o pássaro. Ele tinha cerca de dois metros de envergadura e era lindo. Levava algo entre o bico e voltava na minha direção. Pulei no chão e puxei minha adaga, me preparando.

“Pareço um monstro?!”

A frase assolou meus pensamentos e eu olhei para os lados, procurando quem poderia ser o autor. O pássaro estava a poucos metros de mim agora.

“Tola, não sabe nem ser grata à ajuda que recebe…”

Olhei atentamente para o carcará na minha frente, a cerca de um metro e meio e percebi que seus olhos não eram cruéis, eram desdenhosos. Entre o bico ele carregava um ramo de oliveira. Abaixei e guardei a Compaixão. O pássaro parou a 30 cm de mim, batendo as asas para se manter no ar. Ele me olhava de cima, literalmente, como se fosse muito melhor que eu. Aquilo me irritou, mas ele parecia ser a ajuda de outra deusa, então tentei ser educada.

– Minha mãe te mandou, não foi?

O carcará abriu o bico e eu consegui segurar o ramo da planta símbolo de Atena antes dele cair no chão.

“Olha, a corujinha pensa.”

Segurei a resposta atravessada e agradeci mentalmente Atena pela ajuda. Com aquele pássaro eu poderia cobrir uma distância maior em menos tempo, mas teríamos que nos entender primeiro. Prendi o ramo de oliveira no cabelo e estendi o antebraço esquerdo para o pássaro pousar. Ele me olhou como se eu estivesse louca.

“Não sou um animal doméstico.”
– Não disse que era. Só tentei ser gentil, mas se você prefere ficar sustentando seu peso no ar enquanto eu penso num plano, problema seu.

Ele me olhou e suas garras pareceram maiores e cruéis. Nem pisquei, mantendo o olhar firme no seu. Sabia que ele não iria abaixar a cabeça para mim facilmente, mas alguém tinha que comandar e eu preferia que fosse eu. Acho que um minuto de pura tensão se passou até ele aceitar pousar no meu braço. Achei que suas garras iam me machucar, mas ele as retraiu pouco antes de encostar-se a mim. Permiti-me um breve sorriso.

– Qual o seu nome?
“Minha senhora nunca me deu um nome. Não preciso disso, sou um telepata, como já deve ter percebido. Sei quando precisam de mim.”
– Entendi. Você é muito lindo.

E era mesmo. Suas penas brilhavam com a luz da lua e as penas cinza se destacavam mais do que as brancas que um carcará normal tem. Ele deu um pio e eu acho que gostou do elogio, pois parou de fazer tanto peso no meu braço.

– Eu estou procurando um cão fantasma perdido. Se ele for parecido com os outros que estão com Hécate, é completamente negro e tem cara de poucos amigos. Preciso que você seja os meus olhos. Pode fazer isso por mim?

Ele simplesmente levantou voo e planou acima das árvores, procurando como o bom caçador que era. Enquanto esperava, flashes do que ele estava vendo passavam pela minha mente e fiquei maravilhada com as cores e texturas diferentes que ele enxergava. Fui andando pelo bosque, me sentindo um pouco tola por estar dizendo “Sirius, vem cá menino. Cadê você?”. Percebi um movimento a algumas árvores de distância e fui para lá. “Acho que o encontrei”, pensei para o carcará e ele se voltou para o meu lado. Ele focou a imagem no animal no momento que estendi a mão para a folhagem e chamei o Sirius. Percebi que não era a tempo de me jogar no chão e ver o enorme cão de duas cabeças passar por cima de mim e cair do outro lado.

“ORTHOS! CUIDADO COM A CAUDA. E COM A BOCA! E COM AS GARRAS!”

O carcará gritava na minha cabeça enquanto eu puxava a minha adaga e partia para cima do monstro. Sabia que ele estava me ajudando, pois nunca conseguiria acabar com um monstro tão grande sozinha. Enquanto meu pássaro (o que? Minha mãe o mandou para me ajudar, já era praticamente meu!) dava rasantes, bicava e arranhava o filho de Equidna, eu fazia cortes laterais. O progresso era lento e quando estava começando a me cansar de correr, desviar e atacar, uma flecha de prata atingiu o flanco do monstro. Olhei para a direção da flecha e vi Obi Wana vindo em minha direção com Severo -o arco dela- tensionado e uma flecha encaixada. Minha energia foi renovada instantaneamente e percebi que podia pegar o meu arco também, já que o cão fantasma de Hécate devia ter se assustado com a quantidade de barulho que estávamos fazendo. Encostei a Compaixão no pulso esquerdo e ela voltou a se transformar em uma pulseira, puxei o Paciência e encaixei uma flecha na corda. Com nós três atacando, o monstro foi logo vencido. Guardei o meu arco novamente e minha perna fraquejou. Obi me segurou pouco antes que eu caísse no chão.

– Kennis! Sua perna está sangrando. Será que ele te mordeu?
O carcará se aproximou e examinou o ferimento. “Não… Foi uma das garras. Ela vai ficar bem, só precisa de um curativo pra estancar o sangue. Tem que limpar bem para não inflamar e…”
– Quem disse isso?! – Perguntou uma Obi confusa.
– O Argo.
– Quem?
“Argo?!”

Eu me sentei, abri a minha mochila e peguei um tecido para fazer o curativo.

– Argo é o nome do segurança do Acampamento Meio-Sangue. Ele tem mil olhos. Achei que você se parece com ele, já que foi os meus.

Obi estava visivelmente confusa, mas o carcará me olhava com um brilho diferente. Ele se aproximou de mim e deu uma bicada carinhosa na minha orelha e repousou a cabeça no meu ombro. “Adorei.”

– Argo é o pássaro? De onde ele surgiu? Porque ele está falando na minha cabeça?
– Prometo explicar tudo, Obi. Precisamos encontrar um cão fantasma de Hécate.
– Mas você não veio comprar lótus?
– Longa história. Ajude-me a levantar, por favor. Ah, e guarde o arco, ele não gosta de armas.

Expliquei tudo que havia acontecido e descobri que não tinha encontrado nenhum monstro porque ela havia interceptado todos, mas que havia ficado ocupada com alguns ventis na hora que as empousais me atacaram. Como o meu cavalo me arrastou para longe da trilha, ela demorou um pouco para conseguir me encontrar novamente. Sabia que Argo estava ouvindo a nossa conversa enquanto procurava Sirius sobrevoando as árvores, mas ele não disse nada. Pouco tempo depois vi um cão negro translúcido, menor que os outros que seguiam Hécate, por meio da visão estranha do meu carcará.

“O encontrei!”
– Você é o cara.
“Eu sei.”

Eu ri e fui até o cãozinho.

– Sirius?

Ele olhou para mim desconfiado, me cheirando. Permaneci parada, com Obi ao meu lado e senti Argo pousando no meu ombro.

– Acho que o cheiro da lua é mais forte em você, Obi.

Eu ri enquanto ela fechava a cara e o cãozinho balançava o rabo feliz e pulava nela.

– Sua dona está te procurando, rapaz. Senhora Hécate?

A deusa saiu do meio das árvores e o cãozinho imediatamente correu na direção dela.

– Obrigada, Caçadoras.
– Por nada, minha senhora.

Fizemos uma reverência e quando levantei a cabeça, Hécate me estendia uma sacolinha com o logo da lojinha de Íris. Quando abri vi a lótus e o chocolate especial em gotas. Guardei a sacolinha na minha mochila enquanto agradecia.

– Você teve ajuda nesta missão, mas sou grata por ter encontrado meu filhote. Pegue o seu arco, por favor.

Olhei um pouco desconfiada para a deusa e puxei o Paciência. A deusa estendeu a mão e dei uma olhada discreta para Obi, que também arregalou os olhos.

– Não se preocupe criança. Confie em mim.

Estendi meu arco e entreguei nas mãos da deusa. Ela o rodou no alto, entre as suas mãos enquanto murmurava algumas palavras, e quando abaixou os braços, meu arco havia se transformado em dois gládios.

– Uau.

Ela sorriu e me entregou as espadas. Seus cabos eram rosa, assim como o meio do meu arco, e suas lâminas prateadas, assim como as lâminas do Paciência.

– Pela sua Perseverança e Confiança para realizar um trabalho proposto por mim, aceite esse presente.
– Muito obrigada, minha senhora.
– Até mais, Caçadoras.

Ela estalou os dedos e me vi na frente do kart. Meu cavalo, o cavalo da Obi, ela e o Argo estavam comigo. Meu dual também, uma espada em cada mão. Levantei e rodei-as da forma que Hécate havia feito e senti as lâminas se juntando novamente. Guardei o Paciência na testa e segui para os estábulos para guardar os cavalos. Quando saí, Obi me esperava na porta. Argo não estava visível, mas sabia que ele estava por perto.

– Você está bem? Sua perna ainda está sangrando. Precisamos ir até Aurora.

Como se essa fosse a deixa, minha ferida latejou e meu passo falhou. Ela me amparou e fomos devagar até a entrada do Acampamento.

– Espere, por favor. Argo?

Ele veio voando e pousou no meu ombro.

– Quer ficar aqui? Pode ser por pouco tempo, sei que você não é um animal doméstico, mas se quiser pode se juntar à Caçada.
“Você gostaria que eu ficasse?”
– Muito!
“Gosto de você, Kennis. Você me ofereceu algo que eu nunca tive: um lar. Não gosto de me sentir preso.”
– Tudo bem, então… – abaixei a cabeça um pouco triste.
“Mas vou ficar com você. Acho que ter um lar é bom, não é?”
– É muito bom.

Entrei no acampamento me sentindo muito feliz.

“Às vezes, até a força deve se curvar à sabedoria.” Annabeth Chase.

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