Relatos de missão : O Desaparecimento de Perséfone

    Oiiiiiii, aqui é a Aurora de novo. Vamos começar com um novo “quadro” de histórias aqui no blog e ele será sobre as nossas missões. Pediram-me para começar contando sobre a nossa missão para Deméter, que em minha opinião, foi uma das mais complicadas, até mais do que a missão “Desaparecimento de Ártemis”.

    Tudo começou em uma bela manhã de segunda feira. Era o primeiro dia da primavera, as flores não tinham começado a florescer, mas já que era o primeiro dia, não liguei muito. Eu estava muito animada naquele dia (muito mais do que de costume) porque acabara de me tornar oficialmente uma caçadora e tinha feito o meu apito de prata para chamar eu queridíssimo lobinho Nico. Como vocês sabem, (caso tenham lido as minhas outras histórias) ele é o meu fiel companheiro que anda comigo para todos os lados. Às vezes, até o chamo de “meu rabinho”.

    Enfim, eu tinha acabado de sair do meu quarto quando a Leh, uma caçadora filha de Hermes, me chamou e disse que Ártemis queria falar comigo. Obviamente eu gelei. Eu tinha acabado de subir e já ia levar bronca? O que será que eu tinha feito? Será que foi porque eu saí com o pé esquerdo do quarto? Será que é porque o nome do meu arco é feminino e o do resto dos arcos das caçadoras é masculino? Ou será que o Nico aprontou alguma coisa? Eu o encarei com suspeita e ele me lambeu. É, não foi ele.

    Fui até a sala de Lady Ártemis e respirei fundo antes de entrar. Nesse momento eu senti cheiro de grama molhada invadindo o meu corpo e uma energia bem forte vinda de lá dentro. Eu já estava acostumada com a energia de Ártemis, mas essa era diferente, eu nunca havia sentido…

    Puxei coragem do meu interior e entrei. Lá estava ela, a deusa usava roupas simples, mas muito bonitas e típicas da época em que estávamos, anos 90. Deméter parecia muito preocupada e Ártemis a consolava dando leves tapinhas nas costas (a nossa senhora não gosta muito de contato físico).

    Ártemis fez um sinal para eu entrar e se separou, com cuidado, de Deméter que agora havia começado a segurar o choro. Ver uma deusa chorar é uma coisa estranha, eles nunca se mostram fracos, mas Deméter parecia muito abalada. A Lady disse para eu me sentar enquanto oferecia uma xícara de algo brilhoso para Deméter. Nesse momento chegaram Leh e Kira, outra caçadora, mas filha de Atena.

    -Muito bem, estão todas aqui. – Disse Lady Ártemis – Recebi um pedido importante de Deméter e eu escolhi vocês três para essa missão. O caso é: Perséfone desapareceu. – Deméter olhou para nós e ficou em pé, mas dava para ver claramente que ela não estava bem.

    – Hoje é o primeiro dia da primavera, Perséfone deveria estar lá em casa comigo exatamente agora. Depois de tantos séculos, isso nunca mudou, mas hoje… Ela não apareceu…. – Ela assoou o nariz em um pano que Ártemis deu para ela – Claro que o primeiro lugar que eu a procurei foi no submundo, mas Hades me disse que ela havia saído durante o início da manhã e que parecia um pouco mais rabugenta que o habitual.

    -Meninas, o seu trabalho é rastrear Perséfone e a trazer para cá. Caso ela esteja em perigo, vocês devem voltar aqui imediatamente para que possamos pensar na melhor estratégia. Não ajam sozinhas nem sem uma boa estratégia! – nessa hora ela me encarou. Por que ela me encarou? Eu nunca faço nada sozinha, ué. – Eu escolhi vocês especificamente por suas habilidades. Não me desapontem!

     -Posso ficar aqui até as meninas encontrarem ela? Eu não quero ficar sozinha no meu castelo… Ele é tão grande… Fica tão vazio sem a minha filhinha… E eu estou tão triste…

    Ártemis suspirou, olhou para a gente e consentiu. Deméter mudou rapidamente de expressão para uma animada e surgiram duas malas e uma samambaia ao seu lado.

    -Então, onde eu fico? – Disse ela cruzando os braços e esperando que alguém fosse lá pegar as suas malas.

    – Voltem RÁPIDO – disse Ártemis enquanto se sentava em uma de suas poltronas colocando uma das mãos na testa.- E mandem a Rob vir aqui e levar a Deméter para o quarto 4 na ala oeste.

    – Uuuuh, ala Oeste. Estou me sentindo naquele filme que tinha uma menina muito bela e uma fera que tinha uma rosa maravilhosa. Eu adoro aquela rosa ela me lembra… – Deméter desanimou de novo e voltou a chorar- Perséfoneee…

    Ártemis faz um sinal com a cabeça para a gente sair e deu outro lenço para Deméter, evitando pegar o que ela já havia sujado.

    -Esperem! – Gritou Deméter. – Peguem isso, era de Perséfone. Talvez ajude vocês a encontra-la. – Ela nos entregou uma tiara de flores feita com girassol. (Sim galera, é a mesma tiara) – É uma das favoritas de Perséfone, espero que ainda tenha o seu cheiro.

” A tiara”

    Pegamos o item e saímos de lá um pouco confusas, meio tristes pela deusa e também confiantes. Avisamos a Obiwana e fomos nos preparar para a missão.

    Curiosidades sobre os lobos da caçada: Seus faros são muuuuuuito bons. Bons mesmo, eles conseguem sentir até o mínimo cheiro existente e cada animal na caçada tem uma espécie de “talento”. O do Nico é ser fofo. Mentira, o Nico tem um dom raro de rastrear substancias mágicas mesmo bem escondidas ou ocultas por forças bem poderosas. Por isso que ele foi escolhido para essa missão e eu obviamente fui junto porque ele só ME obedece (hihihihi).

   Estávamos prontas para sair e aparentemente a minha mochila era bem maior do que a das meninas. Acho que era porque elas eram mais experientes e sabiam o que levar, mas tudo bem eu trouxe muita comida, algumas roupas, maquiagem e uma HQ do Batman com um episódio da Hera venenosa caso eu precisasse. Se tem uma coisa que a Obiwana me ensinou, é que é sempre bom andar com o Batman, mesmo ele sendo homem.

    Peguei a tiara e dei para o Nico cheirar. Ele não ficou nem 2 segundos cheirando e saiu correndo. Eu treinei o Nico para seguir o rastro DEVAGAR, mas aparentemente ele gostou desse e resolveu sair correndo desesperadamente. A Leh saiu reclamando horrores de ele ter ido muito rápido e a Kira só aceitou e correu junto.

    De repente, um pouco antes de sairmos do parque a Kira parou e quando eu e a Leh percebemos, paramos também e gritei para o Nico parar.

    -Por que não pegamos os cavalos? – Disse a Kira já voltando.

    -Verdade, né. – A Leh caiu na gargalhada e foi atrás.

     Voltamos, pegamos os cavalos e fomos atrás do Nico. Caso vocês não saibam ainda, os nossos cavalos também são ocultos pela Névoa e quem está de fora vê várias meninas de idades entre 14 e 18 anos em cima de motos envenenadas, o que eu acho um charme.

    Continuando… Seguimos o Nico por muito tempo até que chegamos em Goiás (Vulgo, onde o vento faz a curva). Não entendi de início o que Perséfone estaria fazendo aqui, imaginei que ela provavelmente foi sequestrada até que a Leh disse:

    – Eu conheço esse lugar!

    Eu e a Kira olhamos para a Leh com a cara tipo “Sério?!”

    -Sim ué. Vocês não conhecem? É um lugar que normalmente tem festas e baladas. Acho que agora eles estão com um festival de música sertaneja.

    E eles realmente estavam com um festival de música sertaneja. Chegando lá, paramos e amarramos os cavalos em um lugar perto. Ao redor, vimos pessoas vestidas com chapéu de cowboy, mulheres com blusas mostrando a barriga, calças jeans e botas. Os homens usavam calça jeans e botas também, mas ainda bem que a blusa não mostrava as barrigas, ia ser estranho. As pessoas estavam entrando no espaço e uma música muito alta estava saindo de lá.

           “Chapéu de Cowboy”


    -Perséfone está aqui?! – Perguntei para o Nico e ele latiu consentindo. – É, é aqui meninas.

    Descemos dos cavalos e pedi para o Nico esperar perto deles. Fomos até a entrada, mas fomos barradas imediatamente.

    -Vocês não podem entrar. – Disse o segurança entrando na nossa frente.

    – Por que?! Todas as mulheres estão entrando! – A Leh estava bem indignada.

    – Saiam daqui pirralhas. – Ele nos empurrou.

    A Leh tentou partir para cima do cara, mas eu e a Kira a seguramos. Demos meia volta com cuidado e saímos. Kira estava pensando em um plano quando 3 garotas estavam saindo de lá.

    A Leh olhou para elas e disse – Eu já volto.

    Ela voltou alguns minutos depois com 3 chapéus na mão e com o rosto mostrando uma enorme satisfação.

    -Por acaso você não…. – Perguntei quando ela voltou.

    -Isso não importa, eu encontrei uma maneira da gente entrar sem estragar a cara desse segurança.

    -Ah não! – Disse a Kira andando para trás – Eu não vou fazer isso!

    -Vamos! É a nossa chance! – Eu peguei dois chapéus que estavam com a Leh.

    -Eu também não estou de acordo com o método que ela conseguiu mas é a nossa única chance de entrar!

    -Vocês só podem estar brincando. – A Kira ficava desviando das minhas tentativas de colocar o chapéu nela.

    -Aaaa, vamos Kira, vai ser rapidinho. – A Leh segurou ela.

    Eu coloquei o chapéu nela e dobrei as blusas de forma que parecessem tops. Por sorte, na minha super mochila tinha maquiagem e demos uma passadinha básica. Na minha cabeça, estávamos meio estranhas, mas aparentemente deu certo. O cara nos deixou passar (e eu acho que ele até olhou para o meu corpo, mas eu me segurei e não dei um soco na cara dele).

     Lá dentro estava incrivelmente cheio e tinha várias pessoas dançando e gritando (acho que estavam tentando cantar). Por incrível que pareça, não foi difícil identificar Perséfone. Ela era a única mulher que estava pulando, cantando e dançando com flores em volta. Literalmente em volta, acho que elas cresceram enquanto ela pulava. E aí estava mais uma cena que eu nunca imaginado ver, uma deusa pulando e cantando “É NA SOLA DA BOTA, É NA PALMA DA MÃO. BOTE O SORRISO NA CARA, MANDE EM BORA A SOLIDÃO!”.

    Nós três ficamos boquiabertas com a cena.

    Kira foi a primeira a voltar para a realidade. – Meninas, precisamos pensar em um plano para levar você sabe quem de volta.

    – Podemos ir lá, desacordar ela, a colocar em um saco grande, a jogar no cavalo e leva-la ao acampamento. – Acho que a Leh veio o caminho todo pensando nesse plano.

    – Ou podemos ir lá barganhar com ela. – Esse era o meu plano, não pensei em como fazer isso, mas parecia melhor do que raptar uma deusa que já tinha trauma de ter sido raptada.

    -Lembrando que pode ser uma armadilha… Quem a raptou pode estar controlando todo o ambiente aqui para ela não sair… Nem temos certeza se é a Perséfo…-Antes da Kira terminar de falar “Perséfone”, a própria veio até nós.

    -Ora, ora… Eu sabia que tinha ouvido o meu nome por aqui, mas não esperava que fossem caçadoras.

    A deusa estava usando roupas bem country. Vou começar falando de cima para baixo, porque foi na ordem que eu vi. Na cabeça, ela usava um chapéu de cowboy com algumas flores de diversas cores enfeitando; ela também usava uma blusa bege de mangas compridas e com VÁRIAS franjas em camadas; um cinto com fivela de margarida; calça jeans e botas marrom com flores desenhadas.

    – O que vocês, brotinhos, vieram fazer aqui? – Ela sorriu, se abaixou e tocou o nariz da Kira deixando um pouco de polen cair nela.

    -Viemos te buscar. Sua mãe está preocupada.- Disse Kira tentando limpar o nariz.

    Perséfone emburrou a cara na hora.

    -Podem falar para a minha mãe que eu não vou! Já estou farta de tudo isso! Eu só faço isso da minha vida! Não vou para nenhum lugar novo, não conheço pessoas novas, nem caras gatos! Quando eu estou no submundo faço absolutamente nada de interessante e quando eu estou aqui minha mãe fica consumindo todo o meu tempo de liberdade. Eu sou imortal! Quero viver minha vida!

(Lembrando que ainda estávamos na festa e estava muito barulho então não ouvimos tudo o que Perséfone disse, mas depois da missão nós juntamos as partes que conseguimos ouvir e resultou nisso. Na hora, eu ouvi algo tipo “Lá em casa não tem cachorro quente e eu estou farta de tudo isso”)

    Nós nos entreolhamos e quando voltamos a olhar para Perséfone, ela havia sumido.

    -Droga – eu resmunguei – Temos que acha-la.

    – Agora ela pode estar em qualquer lugar…- Kira se sentou no banquinho do bar que estávamos perto

    – Viu! Se a gente tivesse desacordado ela, já estaríamos no caminho de casa!

    Eu e a Kira olhamos feio para Leh.

    -Táaaa, o que vocês sugerem?

    Kira passou um tempo pensando e levantou de repente, olhou para mim e me puxou para onde estava o palco. A Leh seguiu a gente sem entender o que estava acontecendo. Chegando no palco, esperamos acabar a música que estava tocando, driblamos a segurança e a Kira pegou o microfone de um dos cantores.

    Estávamos nós 3 no palco com 3 guardas tentando tirar a gente de lá. A Kira, segurando fortemente o microfone, disse:

    -Perséfone! Te desafiamos para um desafio de dança!

    Nesse momento a deusa surgiu no palco ao nosso lado. A platéia foi a loucura com o “efeito especial moderno” e começou a gritar “DEIXA ELAS DANÇAREM, DEIXA ELAS DANÇAREM”. Um dos cantores da dupla sertaneja entrou na ideia e pediu para que os guardas nos deixassem ficar.

    – Se a Aurora ganhar, você volta para a sua mãe.- Disse a Kira me jogando na frente dela e encarando Perséfone.

    – O QUE ?! VOCÊ QUER QUE EU DANCE CONTRA UMA DEUSA?!

    – Isso. – Ela sorriu.

    – Se eu ganhar, vocês me deixam em paz, voltam para o acampamento de vocês falando que não me encontraram e vão prometer pelo Rio Estige que nunca mais irão me procurar.

    -Tudo bem.- a Kira concordou- Jure pelo Rio Estige que você irá cumprir a sua palavra.

    – Certo, mas então, caso eu ganhe, vou querer aquele lobo que me encontrou.

    -O QUE ? Você quer o Nico para o que?! – Disse quase me desesperando

    Ela sorriu – Para achar coisas. Esse lobo tem um faro supimpa.

    -Certo, temos um acordo.- Kira disse apertando a mão de Perséfone.

   
    -VOCÊ APOSTOU O NICO?!
    -Calma Aurora, sei que você vai se sair bem.- A Leh tentou me animar.
    -Eu juro pelo Rio Estige que caso elas ganhem, eu irei voltar para a casa da minha mãe assim que acabar.

    A Leh fez dois joinhas com as mãos e disse mexendo os lábios “Você consegue”

    – Mas eu nem sei dançar música sertaneja!

    – A gente confia em você! Vai Aurora! Arrasa!

    -Ai deuses… Que Apolo me abençoe nessa. Vou ganhar… Pelo Nico.

    Nós duas nos posicionamos no palco, uma de cada lado da dupla de cantores. A música começou… Depois disso foi tudo um branco. Eu não sabia o que estava fazendo, só sabia que estava dançando como eu nunca tinha dançado antes. A minha mãe me ensinou algumas coisas, mas eu nunca tinha dançado tão bem quanto ela, pelo menos não até hoje.

    A música parou. Eu estava ofegante. Minha consciência voltou com os gritos da multidão. A Leh correu e me abraçou .

    -Parabéns Aurora! Você ganhou!

    -EU GANHEI?!

    -Ganhou, brotinho, ganhou sim…- Perséfone estava bem triste – Você dança muito bem. Agora é hora de eu ir…- Ela desceu as escadas do palco

    -Espere- Eu fui até ela e segurei a sua mão. – Quero que você fique com isso. – Eu a entreguei a HQ do Batman com a Hera venenosa.

    – O que é isso? Não faz parte do acordo

    – É uma História em quadrinhos. É uma forma de sair do mundo e viver várias aventuras e ainda tem uma das melhores personagens que eu acho muito parecida com você, a Hera Venenosa. Ela é uma das mulheres mais poderosas do mundo das HQs, sinto que irá gostar. Quando você chegar em casa, pode ler.

    Ela sorriu para mim.

    – Muito bem, já que você me deu um presente, te darei uma coisa também. Pode ficar com a minha tirara que vocês usaram para me encontrar. Sim, eu sei disso. Só vou fazer uma leve modificação nela para você…

    Ela fez um gesto com as mãos e a tiara que estava em minha bolsa saiu e flutuou até ela. Quando ela chegou, se transformou em um gládio.

    – Pronto, agora ela é uma tiara e um gládio. Espero que goste, Aurora.

    (Juro que eu arrepiei quando ela disse o meu nome.)

     O gládio foi flutuando para a minha mão e então Perséfone desapareceu.

    -Conseguimos! – Kira estava comemorando.

    – É…Conseguimos…- Disse um pouco triste por ela ter ido em bora sem aproveitar o resto da festa. Ela só queria aproveitar a vida… Não via nada de errado nisso, mas era a nossa missão e aparentemente, caso ela não voltasse, as flores não iam florescer naquela primavera, mas ela estaria feliz…

    Bem, a volta para o acampamento foi engraçada. Nós chegamos exaustas da missão, mas aparentemente todas no acampamento também estavam. Deméter fez algumas “modificações amigáveis” no nosso acampamento. Tinha trigo para todos os lados, árvores enormes nos pátios de treinamento, samambaias pelo chão e uma Ártemis completamente sem paciência.

    Quando ela nos viu veio correndo até nós.

    – E então? Perséfone está em casa?

    – Sim senhora! – Respondemos em uníssono.

    – Ai que maravilhoso! Deméter pode ir para casa! – Ela saiu gritando que queria o relatório para o dia seguinte, mas hoje era para ajudarmos as meninas a arrumarem a bagunça e que ela ia avisar Deméter.

     Assim terminou a missão. Comigo morta de cansaço por ter dançado contra uma deusa, ganhando um gládio que depois vi que tinha escrito “ Primavera” na lâmina e com o acampamento cheio de plantas diversas. Foi um dia produtivo.

Espero que tenham gostado ^^
~Aurora
~Beijos de Luz da Aurora

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