Romano de olhos azuis – Blueeyes

Essa é a história de
um filho de Netuno,
atual centurião da III
coorte! Vamos fazer
silêncio enquanto
Blueeyes nos conta
sua história.

Quando eu tinha 10 anos minha mãe e eu nos mudamos para os EUA. Perto da nossa casa havia uma trilha que dava para uma praia que, devido dificuldade de acesso, era praticamente deserta. Ali era meu refugio, eu adorava ficar nas rochas olhando o mar se estender até onde a vista alcançava, nos dias quentes eu saía da escola e passava a tarde toda entre as ondas, nadando entre os corais. Ela me encontrou no ano seguinte.

    Era inverno, eu tinha começado a me perguntar quem era o meu pai e onde ele estava. Eu andei pela trilha até meu refugio, parei na linha da água para observar o mar, perdido em meus pensamentos não percebi que havia outra pessoa ali:

– Impressionante não?- Disse uma voz feminina.

    Olhei para o lado e vi uma mulher alta, tinha cabelos escuros que escorria pelas costas e apesar do frio ela estava usando um vestido sem mangas de linho branco e estava descalça:

– Meu pai adora se vangloriar de seu domínio- ela falou sem tirar os olhos do horizonte.

    Achei melhor voltar para casa e deixar aquela mulher em seus delírios, mas quando me virei dei de cara novamente com ela, seus olhos eram brancos como gelo:

– Você não ia fugir de mim, ia?- ela agarrou meu braço, a manga do meu casaco começou a se cobrir de gelo – Eu o tenho observado, tinha que ter certeza antes de agir.

– Ter certeza de que?- a manga do meu casaco já estava coberta de gelo.

– Certeza que você é filho dele – ela sorriu com crueldade – Como não posso atingi-lo diretamente então eu vou matar você.

    Eu dei um impulso para trás fazendo a manga congelada se partir e me soltar, sai correndo na direção oposta ao longo da linha da água:

– Isso mesmo, corra semideus – ela sibilou – corra e nunca saberá quem é o seu pai.

    Hesitei. Ela realmente sabia quem era meu pai? Ou só estava tentando me enganar? Virei-me novamente para ela:

– Isso mesmo, eu sei quem ele é – ela continuou com desdém – pois saiba que ele também é meu pai.

– Quem é você? – perguntei.

– Meu nome é Despina – ela estendeu a mão em minha direção – E essa praia será sua tumba filho do mar.

    Tudo aconteceu tão rápido. Despina soltou um raio de luz azul da mão, em reflexo eu levantei as mão em uma tentativa de me proteger, a água do mar ao meu lado se agitou e moveu na direção da minha mão formando uma parede de água entre mim e Despina, o que me protejeu do ataque.“Não tema filho”. Uma voz sussurrou na minha cabeça.“Enfrente-a, você tem o poder”.

    As ondas arrastaram um objeto dourado para a praia, ainda protegido pela parede de água fui até o local e apanhei o presente, era uma haste dourada com três pontas afiadas em uma extremidade. Um Tridente:

– Obrigado pai – sussurrei para as ondas.

    Despina acertou mais um raio na minha proteção fazendo a água da parede recuar de volta para o mar:

– Ganhou um novo brinquedinho irmãozinho? – ela debochou ao ver o tridente.

    Ela se preparou para mais um disparo, mas hesitou quando um uivo cortou o ar. Da trilha emergiram lobos enormes que cercaram Despina rosnando:

– Não interfira Lupa! – Ela sibilou para a maior loba que eu já vira na vida.

    O pelo dela era de um marrom avermelhado e seus olhos prateados como nevoa mostravam uma inteligência superior.

“Despina”. A voz da loba ressoou em minha mente. “Seu ódio não tem limites”.

    A loba virou-se para mim, seu olhar era fascinante e intimidador ao mesmo tempo, levantei o tridente.

“Abaixe a arma filho de Netuno”. Ela me tranquilizou. “Não vim machuca-lo. Sou Lupa, a Deusa-loba, vim guia-lo para um lugar seguro”

Não – Despina tentou ultrapassar os lobos mais recuou quando Lupa rosnou para ela – Muito bem, mas nós iremos nos encontrar novamente irmão, e da próxima vez não terá Lupa e seus lobos para protegê-lo.

    Despina se desfez em uma rajada de vento e gelo.

“Venha”. Achei melhor não discutir com a deusa-loba.

    Ela e seus lobos me guiaram pela trilha, andamos alguns metros e ela me indicou um  caminho fora da rota, hesitei.

“Não se preocupe”. A voz de Lupa em minha cabeça era tranquilizadora. “Sua mãe foi avisada, agora deve começar seu treinamento”.

– Não é isso – eu respondi- Aquela mulher, Despina, queria me matar, por quê?

“Despina é filha de seu pai, Netuno, com Ceres, deusa da agricultura”. Explicou a Loba. “Ela guarda rancor dos pais por tê-la abandonado, ela destrói as plantações pra irritar a mãe e tenta atingir o pai de varias maneiras diferentes”.

– Ela falou que me observa há muito tempo.

    Lupa assentiu. “Ela queria ter certeza de quem você era filho, para isso ela influenciou sua mãe a se mudar para cá, onde a influência dos deuses é maior”.

– Então meu pai é realmente um deus- eu respondi um pouco ressentido – Então porque ele não me ajudou, ou pelo menos falou comigo?

“Os deuses não podem interferir diretamente”. A noite tinha caído e chegamos nas ruínas do que me pareceu um castelo:

– Esse é o lugar seguro? – Perguntei.

“Por hora descanse, amanha começa seu treinamento”.

    Treinei com Lupa durante um mês, até que um dia ela me guiou até a base de uma montanha.

“Vá”. Ela me disse indicando um túnel abandonado dois níveis a cima. “Junte-se a Legião.”

    Dar de cara com duas pessoas vestidas com armaduras romanas completas foi extremamente desconfortável, mas depois de um interrogatório padrão (Quem é você? De onde você veio? Como chegou aqui?) me conduziram até o Acampamento Júpiter, onde me juntei a XII Legião Fulminata. Nunca me esqueci da promessa de Despina, mas da próxima vez que nos encontrar eu saberei como me defender.

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Sou uma das responsáveis pelo projeto de roma, portanto sempre que tiverem dúvidas, reclamações, choros ou felicidades venham falar comigo!

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Moira C. Fênix

Moira C.

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