Sangue quente – Kathy

Hoje, nos contando sua história, temos Kathy! Filha de Plutão e centuriã da III coorte, se aconcheguem, fiquem quietos e não peguem nenhum diamante do chão!

    Bem, para contar a minha historia, tenho que voltar um 5 anos atrás, eu tinha uns 9 anos. Era final de uma tarde de verão, o sol estava se pondo e eu tinha acabado de ser adotada por uma família, eles eram pessoas legais e tinham uma filha chamada Chloe, ela era dois anos mais velha que eu. Nosso pai virou para ela e segurou em seu ombro

– Chloe, você é a irmã mais velha, cuide bem dela – e voltou para seu escritório

Ela se virou e me encarou com os olhos cor de mel, sorrindo ela estendeu a mão

– Bem-vinda, qual é o seu nome ?

-Katherine – estava de pé ao lado do sofá, estendi a mão e a cumprimentei

– Que nome bonito! Então… posso chama-la de Kathy ?

    Fiz que sim com a cabeça, ela segurou minha mão e me levou até seu quarto. Brincamos de tudo, jogos de tabuleiro, vídeo game e até fizemos mímica. Mais tarde ela fez um suco e montou uma casinha com cobertores e uma vassoura, por mais que eu tivesse meu próprio quarto, não queria sair dali. Ela pegou um livro de historia e começou a falar sobre o antigo Império romano, contou como eram suas guerras, os deuses, heróis e monstros. Ficamos conversando depois, ela contou que nossos pais a colocaram em uma aula de esgrima, ela prometeu me ensinar depois e então caímos no sono.

    Assim anos foram se passando, no meu aniversario de 11 anos fui a escola mais cedo, ajudar uma amiga com um trabalho de escola. Nossa primeira aula era de educação física, minha cabeça estava doendo muito então fiquei sentada nos bancos da quadra, o professor não vinha a escola fazia 2 meses e um substituto ficava conosco, ele era alto e magro, cabelo curto e meio cinzento e só sabia dar uma bola e mandar jogar queimada e como eu odiava queimada, de certa forma estava feliz por estar com dor de cabeça naquele dia. Essa era terceira vez que eu não participava de um jogo, o professor substituto me chamou em sua sala, a ultima coisa que eu queria agora era levar um bronca de um professor de educação física, mas mesmo assim eu o segui pelos corredores da escola, todos estavam quietos, o segundo horário já havia começado e só nós dois ficamos no corredor, a alguns passos da sala dele, ouvi gritos me chamando, era Chloe.

– Kathy! Espera ai, nossos pais estão aqui para nos buscar! – ela parou na minha frente, ofegante

-Ok, só vou falar com o… – o professor havia sumido, em seu lugar estava uma criatura com corpo de leão, rabo de escorpião, asas de morcego e a cabeça do professor

    Aquele era um dos monstros que Chloe havia falado, uma mantícora. Ela vinha devagar em nossa direção

– Tinha certeza que conhecia esse cheiro – falou o monstro com a voz do professor de educação física – semideusa

– O que ? – disse surpresa. Por mais que o rosto de Chloe estivesse coberto de medo, ela me puxou para o lado e entrou na minha frente.

– Saia da frente! – a mantícora atacou com seu rabo de escorpião, mas Chloe foi pro lado, desviando, não a acertou por pouco, com raiva a mantícora a acertou com a pata direita

    Me levantei, voltando a atenção do monstro, Chloe estava desmaiada, encostada na parede e com muito sangue saindo de sua barriga, sua roupa rasgada mostrava o ferimento profundo. Ela não iria aguentar muito tempo assim. A mantícora me atacou e ficou tudo escuro. Não quando apagamos a luz do quarto e fechamos a janela, ficou uma escuridão total e uma brisa fria, a única coisa que passava na minha cabeça era que eu estava morta, que tudo tinha acabado assim tão rápido.

– Você não está morta – uma voz fria de um homem veio da escuridão

– Quem é você ?

– Eu sou o seu pai

– Er… Darth Vader ?

– O que ? Não, sou Plutão, deus do submundo – um homem apareceu na minha frente, cabelo escuro cortado bem curto, rosto pálido e barbeado. Usava túnica e toga de lã preta bordadas com fios de ouro, parecia que rostos atormentados agitavam o tecido, a bainha de sua toga tinha uma linha carmim

– O que é isso ? – perguntei o encarando e um frio correu pela minha espinha

– Você está sendo atacada por um monstro, consegui traze-la aqui, mas por pouco tempo. Hoje é o seu aniversario de 11 anos, era de se esperar que um monstro a atacasse. Vou lhe dar um presente, mas lembre-se siga para o sul, lá você encontrará o acampamento romano.

    Algo começou a pesar na minha cintura, ao olhar para baixo vi um cinto marrom com joias em suas pontas, ele sustentava um gládio. A bainha era negra com detalhes de ouro na ponta e no encaixe, seu cabo era de ouro, o pomo e guarda mão negros, seu fuller cinzento e a lâmina negra.

– O-obrigada

– Até a próxima, filha

    A escuridão se foi, tudo voltou como antes, inclusive a mantícora me atacando. Desviei para o lado, ela se virou e soltou espinhos pelo rabo por toda a parte enquanto eu corria, por sorte nenhum me acertou, aquele corredor era pequeno demais para ela se movimentar bem. Fui para o lado acertando a espada em seu corpo, a mantícora se desfez em um pó dourado. Eu estava ofegante e com um corte no rosto e joelho, virei para Chloe ainda jogada no chão, agora um dos espinhos que a mantícora havia jogado estavam nela.
Se vocês já perderam alguém querido, um amigo ou um parente que seja, sabem como eu estava me sentindo naquela hora. Não me permiti chorar, não podia. Olhei para o corpo sem vida de minha irmã, o pó que o monstro havia se transformado, peguei minha espada, a coloquei de volta no cinto e segurei o corpo de Chloe. O que eu poderia fazer ? Não podia deixa-la ali.

    O sinal tocou e todos saíram de suas salas, quando os professores me viram, correram para cima de mim.

– Katherine! O que está acontecendo ? – falou um do professores tentando tirar Chloe dos meus braços

– Pode soltar, ok ? Está tudo bem – minha professora de física a segurou

    Minhas roupas estavam todas sujas de sangue. Enquanto todos estavam distraídos, fui embora daquela confusão toda, peguei algumas roupas que estavam no meu armário e sai da escola. Minha cabeça me dizia para onde ir, de certa forma, fui andando a maior parte do caminho e a dor de cabeça ficava pior cada vez que eu me aproximava. Uma noite, enquanto dormia encostada em um prédio, um luz branca começou a ofuscar meu rosto, então uma loba apareceu, seu pelo cinza claro brilhava.

– Você já está na metade do caminho, continue seguindo para o sul

– Quem é você ?

– Sou Lupa, venho acompanhando seus passos, você está quase lá, continue seguindo para o sul

– Vem ? Não percebi ajuda sua quando fui atacada

– Se você não conseguisse sair de uma situação assim sozinha, eu mesmo a teria matado. Você deve aprender a se cuidar sozinha

– Obrigada pelo conselho

    As pessoas me olhavam de forma estranha e sussurravam umas para as outras, sem me importar, voltei a dormir e logo pela amanhã segui viagem para o sul. Ao longe vi luzes e grandes construções, pessoas com escudos, lanças, gládios e armaduras fazendo ronda pelo lugar, era ali que eu deveria ir, finalmente achei o acampamento romano.

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Sou uma das responsáveis pelo projeto de roma, portanto sempre que tiverem dúvidas, reclamações, choros ou felicidades venham falar comigo!

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Moira C. Fênix

Moira C.

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